Furtos de fios caem em Criciúma, diz comandante do 9º BPM

Entrevista na Rádio Cidade em Dia abordou redução nas ocorrências, atuação contra receptadores e análise sobre o projeto da Lei Antifacção

José Demathé

Publicado em: 26 de fevereiro de 2026

6 min.

Furtos de fios caem em Criciúma, diz comandante do 9º BPM Foto: Divulgação

O tenente-coronel Mário Luiz Silva, comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar (9º BPM), afirmou que houve redução nos furtos de fios em Criciúma nos primeiros meses de 2026, em comparação com o ano passado. A declaração foi dada nesta quinta-feira (26), durante entrevista à Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, ao jornalista Denis Luciano.

Segundo dados da Celesc apresentados na entrevista, Santa Catarina já registrou 447 ocorrências de furto de fios em 2026. Criciúma lidera o ranking estadual, com 116 casos, seguida por Joinville, com 84 registros.

Apesar do número elevado — média de quase duas ocorrências por dia na cidade — o comandante ponderou que, na comparação com 2025, os índices apresentam queda.

Comparativo aponta redução em relação a 2025

De acordo com o comandante, qualquer bimestre de 2025 teve número superior ao registrado neste início de ano. Ele citou que, somente em julho do ano passado, foram 158 ocorrências em Criciúma. No primeiro bimestre de 2025, os registros ficaram entre 150 e 160 casos.

“Se analisarmos o dado isoladamente, é um número alto. Mas, dentro do contexto geral, aponta uma redução nos furtos aqui em Criciúma”, afirmou.

Operação Fio Desencapado intensificou fiscalização

O comandante destacou que a redução está relacionada às ações contínuas da Polícia Militar, especialmente por meio da Operação Fio Desencapado, que atua tanto na repressão ao autor do furto quanto na fiscalização de receptadores.

A operação é realizada em parceria com órgãos de fiscalização da Prefeitura de Criciúma e tem como foco estabelecimentos que comercializam sucata, como ferros-velhos.

Em fiscalizações realizadas no ano passado, foram apreendidos diversos materiais furtados, incluindo fios e hidrômetros, além da prisão de suspeitos por receptação.

O comandante ressaltou que o combate ao receptador é fundamental para enfrentar o problema. “Há necessidade de atuar na causa do problema, que é o receptador. As operações realizadas em outubro e novembro já resultaram em redução sensível nos furtos naquele período”, explicou.

Reincidência é desafio no combate ao crime

Outro ponto destacado pelo comandante foi a reincidência criminal. Segundo ele, muitos dos presos por furto de fios possuem diversas passagens anteriores.

“Estamos prendendo cidadãos que têm cinco, seis, dez, vinte passagens por furtos. Enquanto não tivermos uma legislação penal que faça com que esse cidadão seja efetivamente punido, vamos permanecer nesse ciclo”, afirmou.

Projeto da Lei Antifacção pode endurecer punições

Durante a entrevista, o comandante também comentou a aprovação, no Congresso Nacional, do projeto da chamada Lei Antifacção, que aguarda sanção presidencial.

Ele explicou que a proposta prevê penas de até 40 anos para integrantes de facções criminosas classificadas como “ultraviolentas” e estabelece regras mais rígidas para progressão de regime, exigindo o cumprimento de até 85% da pena em regime fechado.

O projeto também prevê medidas de asfixia financeira das organizações criminosas, com mecanismos para bloquear recursos e patrimônio ligados ao crime organizado.

Segundo o comandante, a legislação busca enfrentar principalmente facções que dominam territórios em outros estados do país. Ele avaliou que a proposta tende a ser eficiente no combate ao crime organizado, embora ainda dependa de sanção presidencial para entrar em vigor.

Outro ponto considerado polêmico é a alteração no Código Eleitoral, que pode vedar o direito ao voto de presos provisórios condenados por integrar facções criminosas, medida que ainda deve ser analisada após eventual sanção.

Segurança pública em debate

Ao final da entrevista, o comandante reforçou a importância do debate público sobre segurança, legislação penal e enfrentamento ao crime organizado, destacando que a atuação integrada das forças de segurança é essencial para manter a redução dos índices criminais.


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