A expansão do pedágio eletrônico no Brasil, conhecido como sistema free flow, trouxe mais agilidade às rodovias, mas também abriu espaço para uma nova modalidade de golpe digital. Criminosos têm criado sites falsos e anúncios patrocinados que imitam páginas oficiais de concessionárias para enganar motoristas na hora do pagamento da tarifa.
O alerta vem sendo reforçado por órgãos reguladores e especialistas em segurança digital. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) já identificou páginas fraudulentas que simulam portais oficiais de cobrança. Levantamento da empresa de segurança Kaspersky aponta que dezenas de domínios enganosos foram registrados nos últimos meses com o objetivo de capturar dados e valores de usuários.
O problema ganhou dimensão à medida que o modelo de cobrança sem cancelas se espalha pelo país — e muitos motoristas ainda não estão totalmente familiarizados com o funcionamento do sistema.
Como o golpe acontece na prática
O principal caminho usado pelos golpistas é o mecanismo de busca. Ao pesquisar como pagar o pedágio eletrônico, o motorista pode clicar em um link patrocinado que aparece entre os primeiros resultados.
Essas páginas costumam reproduzir identidade visual semelhante à de concessionárias reais. Após inserir a placa do veículo, o sistema exibe supostos débitos e direciona para pagamento, geralmente via Pix, por meio de QR Code ou código para transferência.
Também há registros de envio de boletos físicos, mensagens por SMS e notificações por aplicativos cobrando regularização urgente para evitar multa por evasão de pedágio — infração considerada grave, com penalidade financeira e pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
O advogado e consultor em Direito do Consumidor Dori Boucault afirma que o momento exige cautela redobrada. Segundo ele, a sofisticação tecnológica dos golpes exige atenção aos detalhes antes de qualquer pagamento.
Como evitar cair no golpe do free flow
Para reduzir o risco de prejuízo, especialistas recomendam medidas simples, mas essenciais:
Verifique o endereço eletrônico
O site deve começar com “https://”. Além disso, é importante observar se o domínio corresponde exatamente ao da concessionária responsável pela rodovia.
Não clique em links recebidos por mensagem
Evite acessar páginas indicadas por SMS, e-mail ou aplicativos de mensagens, especialmente se houver tom de urgência.
Confirme os dados antes de pagar via Pix
Ao realizar transferência, confira o nome do destinatário. Divergências entre o nome da concessionária e o beneficiário são sinal de alerta.
Prefira canais oficiais
Cada rodovia com sistema free flow possui canais próprios de cobrança. O ideal é buscar informações diretamente no site institucional da concessionária ou em seus aplicativos oficiais.
Desconfie de prazos e ameaças imediatas
Golpistas costumam pressionar com mensagens como “último dia para pagamento” ou “evite multa agora”. Tarifas reguladas não funcionam como promoções comerciais.
E se o pagamento já foi feito?
Caso o motorista perceba que efetuou o pagamento em um site fraudulento, a recomendação é agir imediatamente.
As primeiras providências incluem:
- Comunicar o banco para bloquear cartão ou tentar contestar a transação;
- Registrar um Boletim de Ocorrência;
- Informar a concessionária responsável pelo trecho;
- Procurar o Procon para formalizar denúncia;
- Alterar senhas bancárias e monitorar movimentações financeiras.
Especialistas alertam que a recuperação do valor pode ser difícil, pois os responsáveis pelos golpes mudam frequentemente de domínio e dados cadastrais para dificultar rastreamento.
Como pagar o pedágio eletrônico com segurança
No sistema free flow, o pagamento pode ser realizado por diferentes canais oficiais, dependendo da concessionária:
- Site institucional da empresa responsável pela rodovia;
- Aplicativo oficial;
- Totens de autoatendimento;
- Pontos parceiros credenciados;
- Serviços de tag automática.
A contratação de uma tag de pedágio é considerada uma alternativa mais segura, pois automatiza a cobrança e reduz a necessidade de acesso manual a plataformas digitais.
Com a consolidação do pedágio eletrônico no país, a principal defesa do consumidor continua sendo a informação. Conferir o canal oficial antes de qualquer pagamento pode evitar prejuízos financeiros e exposição de dados pessoais.
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