Canella admite pressão no cargo e projeta ajustes no Criciúma

Presidente do Tigre revela que pensou em desistir nos primeiros 45 dias, detalha situação financeira, confirma saídas no elenco e defende mudanças no processo eleitoral do clube

José Demathé

Publicado em: 2 de março de 2026

6 min.

Canella admite pressão no cargo e projeta ajustes no Criciúma Foto: Rádio Cidade em Dia

O presidente do Criciúma Esporte Clube, Pedro Paulo Canella, afirmou que chegou a pensar em desistir do cargo nos primeiros 45 dias de gestão, período que classificou como “terrível” diante da pressão, insegurança e falta de experiência. A declaração foi feita nesta segunda-feira (2), durante entrevista à Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA, ao jornalista Denis Luciano.

Canella relatou que perdeu quase oito quilos no início do mandato e enfrentou dificuldades emocionais diante das críticas. Segundo ele, a situação foi superada gradualmente com o apoio da diretoria, da imprensa e dos torcedores.

“Os primeiros 45 dias foram terríveis para mim. Eu emagreci quase 8 quilos, não dormia praticamente nada”, afirmou.

Situação financeira exige ajustes

Um dos principais pontos abordados foi a realidade financeira do clube. De acordo com o presidente, a folha mensal do futebol gira em torno de R$ 3 milhões, chegando a aproximadamente R$ 3,8 milhões quando considerados todos os funcionários.

Canella afirmou que o Criciúma precisa “equacionar o caixa” e confirmou que haverá saídas no elenco para reduzir custos.

“Tem saídas. Algumas. Nós pegamos com o gasto mensal muito acima do que estamos arrecadando”, explicou.

Ele destacou que o clube já iniciou cortes pontuais e trabalha para fortalecer o departamento comercial em busca de novos patrocinadores. A Liga Forte União, responsável pela organização da Série B, já repassou cerca de R$ 1 milhão neste início de temporada, mas os valores totais ainda não estão totalmente definidos.

Elenco experiente e críticas da torcida

Questionado sobre a média de idade do elenco, Canella reconheceu a preocupação com o número de atletas acima dos 30 anos, mas defendeu a experiência como diferencial competitivo.

“Eu tenho esse receio também, mas hoje os jogadores se cuidam muito mais. O vigor físico é diferente do futebol de anos atrás”, disse.

Ele revelou ainda que solicitou à diretoria de futebol a busca por jogadores mais jovens e com contratos baseados em produtividade.

Processo eleitoral deve mudar

No campo político, o presidente defendeu alterações no estatuto para facilitar a inscrição de chapas nas próximas eleições do clube. Para ele, não deveria ser exigido número elevado de assinaturas para registrar candidatura.

“Acho que não precisa exigir assinatura. Inscreve e vai para o conselho. Se não atingir o número de votos lá dentro, faz parte”, afirmou.

Canella anunciou também que o clube deve colocar à venda 500 novos títulos patrimoniais, ampliando a participação de sócios nos próximos pleitos.

Bandeirão retirado por prevenção

Outro tema abordado foi a ausência do bandeirão no Estádio Heriberto Hülse. Segundo o presidente, o item é recolhido sempre que há alerta da Defesa Civil para ventos fortes, a fim de evitar danos e custos de manutenção.

Ele anunciou ainda a instalação de um novo mastro de 60 metros no Centro de Treinamento, considerado o maior da história do clube.

Base e futebol feminino mantidos

Canella negou que o clube vá encerrar categorias de base inferiores ao sub-13 e garantiu a continuidade do futebol feminino, mesmo diante das dificuldades financeiras.

“O Criciúma faz muita coisa que poucos imaginam”, afirmou, destacando o papel social do clube na formação de atletas e no apoio às jogadoras.

Expectativa para decisão e Série B

O presidente confirmou que o jogo decisivo contra o Camboriú, valendo vaga na Copa do Brasil e premiação milionária, está marcado para sábado, às 18h, no Estádio Heriberto Hülse.

Para a disputa da Série B, ele acredita na evolução da equipe e reforçou a importância de resultados positivos para fortalecer a confiança da torcida.

“Eu não me preocupo com críticas. Eu me preocupo com maldade. O Criciúma é muito maior que tudo o que existe aqui na região sul”, concluiu.


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