O prolongamento da Via Expressa de Blumenau voltou ao centro do debate público após críticas sobre a demora na execução e o aumento expressivo do custo da obra. Iniciado em 2014 com orçamento de R$ 138 milhões, o projeto já é estimado em mais de R$ 200 milhões e permanece paralisado desde agosto de 2024.
Considerado estratégico para a mobilidade do Vale do Itajaí, o empreendimento acumula mais de dez anos de execução, quatro paralisações e apenas três quilômetros concluídos dos 15 previstos.
O que está em jogo
A proposta original prevê a ligação entre a SC-108, na região da Vila Itoupava, e a BR-470. A expectativa é que o traçado funcione como alternativa para o tráfego de passagem, retirando veículos pesados e fluxo intenso das vias urbanas de Blumenau, especialmente da Rua Dr. Pedro Zimmermann, no bairro Itoupava Central.
Na prática, porém, o projeto segue incompleto.
O primeiro trecho, entre a Via Expressa/BR-470 e a Rua Theodoro Pasold, já foi pavimentado. Ainda assim, faltam estruturas essenciais para que a via funcione plenamente, como:
- Alças de acesso às vias que cruzam o trecho;
- Aprovação dos acessos à BR-470 pelo DNIT;
- Ajustes nas cabeceiras do viaduto sobre a Rua Guilherme Scharf;
- Implantação de uma rótula na interseção com a Rua Theodoro Pasold.
Sem essas etapas, o investimento já realizado não cumpre o objetivo de desafogar o trânsito da região.
Custo crescente e entraves acumulados
Dados do Projeta SC apontam que R$ 68,8 milhões já foram pagos. Mesmo assim, a obra está longe da conclusão.
Segundo a Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade (SIE), o projeto enfrenta entraves judiciais, ambientais e problemas técnicos decorrentes de falhas no planejamento original. A pasta afirma que trabalha em adequações para viabilizar a retomada, mas não apresentou novo cronograma.
Em audiência pública realizada em maio de 2025, o secretário de Infraestrutura, Jerry Comper, declarou que o governo se comprometeu a concluir ao menos o trecho já iniciado. Ele também afirmou que, se o anel viário de Blumenau fosse lançado hoje, o custo poderia ultrapassar R$ 600 milhões.
Pressão política e nova audiência
O atraso voltou a repercutir após manifestação pública do deputado estadual Ivan Naatz (PL), que classificou o projeto como o principal gargalo de mobilidade do Vale do Itajaí.
Diante da situação, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) aprovou por unanimidade a realização de uma nova audiência pública para que o governo estadual apresente esclarecimentos sobre o andamento da obra. Até o momento, a data do encontro não foi definida.
Impacto direto na rotina da população
Enquanto o impasse se prolonga, motoristas seguem enfrentando congestionamentos diários em um dos principais corredores de ligação entre bairros industriais e residenciais de Blumenau.
A ausência de uma alternativa viária amplia o tempo de deslocamento, encarece o transporte de cargas e mantém a pressão sobre ruas projetadas para um fluxo muito menor do que o atual.
Mais do que um projeto de infraestrutura, o prolongamento da Via Expressa de Blumenau tornou-se símbolo das dificuldades de execução de grandes obras públicas no estado, com custo crescente, prazo indefinido e impacto direto na vida da população.
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