Sombrio sedia procedimento histórico com uso de proteína experimental para lesão medular

Jovem de 19 anos será o primeiro paciente de Santa Catarina a receber a aplicação de polilaminina através de uso compassivo autorizado pela Anvisa

Redação

Publicado em: 4 de março de 2026

4 min.

Sombrio sedia procedimento histórico com uso de proteína experimental para lesão medular Foto: Divulgação

O Hospital Dom Joaquim, em Sombrio, será o cenário de um marco na medicina catarinense nesta quinta-feira, 5 de março. Pela primeira vez no Estado, um paciente receberá a aplicação de polilaminina, uma proteína experimental que tem demonstrado potencial na regeneração de tecidos em casos de lesões raquimedulares graves.

O beneficiado é Alison Carvalho Saldívia, de 19 anos. Morador de Balneário Gaivota, o jovem teve sua vida transformada no dia 11 de janeiro, quando um mergulho em águas rasas resultou em um trauma na região cervical da coluna (vértebra C5). Atualmente sem movimentos nos membros superiores e inferiores, Alison vê no procedimento uma chance real de recuperar parte de sua autonomia.

O Caminho da Inovação: Do Estudo à Prática

A viabilização do tratamento foi fruto de uma força-tarefa liderada pelo Instituto Maria Schmitt (IMAS), gestor da unidade hospitalar. A equipe médica local, encabeçada pelo Dr. Ângelo Formentin Neto, buscou diretamente os pesquisadores responsáveis pelo estudo clínico da medicação — a Dra. Tatiana Sampaio e o neurocirurgião Dr. Olavo Franco.

Como a polilaminina ainda está em fase de testes, o acesso foi garantido através do uso compassivo. Essa modalidade permite que pacientes com condições graves e sem alternativas terapêuticas satisfatórias utilizem medicamentos experimentais, desde que haja autorização da Anvisa e suporte jurídico adequado.

“Se ele conseguir recuperar algum movimento, já será um ganho muito significativo. Existe uma expectativa grande em torno dessa terapia”, afirma o Dr. Ângelo Formentin Neto.

Detalhes do Procedimento

A intervenção, prevista para durar cerca de 30 minutos, será realizada no bloco cirúrgico do Hospital Dom Joaquim pelo neurocirurgião Dr. Luiz Felipe Lobo. A proteína será aplicada diretamente na medula do paciente. Embora o tratamento ainda seja objeto de estudo, o risco é considerado baixo e os resultados prévios em outros casos pelo país animam a comunidade médica.

O caso de Alison não é apenas um passo individual em sua reabilitação, mas um avanço coletivo para a medicina de Santa Catarina, posicionando o Hospital Dom Joaquim como uma unidade de referência em tratamentos de alta complexidade e inovação científica.



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