PF identifica 15 perfis por vídeos que simulam violência contra mulheres

Segundo o inquérito conduzido pela Diretoria de Repressão a Crimes Cibernéticos, os perfis foram criados entre 2024 e 2025

Eduardo Fogaça

Publicado em: 11 de março de 2026

5 min.
PF identifica 15 perfis por vídeos que simulam violência contra mulheres. Foto: Reprodução/Redes Sociais

PF identifica 15 perfis por vídeos que simulam violência contra mulheres. Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Federal (PF) identificou 15 perfis responsáveis pela publicação original de vídeos da trend “Caso ela diga não”, que simula agressões contra mulheres após uma suposta rejeição em situações românticas. O conteúdo, que viralizou nas redes sociais, passou a ser investigado por incitar violência de gênero.

Segundo o inquérito conduzido pela Diretoria de Repressão a Crimes Cibernéticos, os perfis foram criados entre 2024 e 2025. A maior parte dos vídeos que ganhou grande alcance na internet foi publicada no ano passado.

O tema voltou a ganhar repercussão nas últimas semanas, especialmente no início de março, período em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher, quando usuários passaram a denunciar e criticar o conteúdo nas redes sociais.

PF abriu investigação e pediu remoção dos vídeos

A investigação começou após denúncias feitas por internautas sobre o teor dos vídeos. Diante da repercussão, a Polícia Federal iniciou um inquérito e passou a trocar informações com a plataforma TikTok.

Segundo a corporação, a rede social removeu todos os conteúdos identificados por violarem as diretrizes da plataforma.

Além disso, a PF solicitou a preservação dos dados dos perfis envolvidos, que agora serão analisados pelos investigadores e poderão integrar o processo.

Delegados ouvidos pela reportagem afirmam que novos desdobramentos ainda estão sendo avaliados, incluindo a possibilidade de que os mesmos responsáveis tenham publicado conteúdos semelhantes em outras redes sociais.

O que mostra a trend investigada

Os vídeos investigados seguem um padrão semelhante. As publicações começam com uma encenação romântica, como um homem ajoelhado para pedir uma mulher em casamento ou tentando iniciar uma aproximação.

Quando a personagem feminina supostamente responde “não”, o autor do vídeo passa a simular reações violentas, como:

  • socos e chutes;
  • golpes com faca;
  • disparos de arma de fogo;
  • outras agressões físicas.

As publicações costumam usar frases como “treinando caso ela diga não” ou variações semelhantes.

Repercussão nas redes sociais

A trend gerou forte reação de usuários e influenciadores digitais, que passaram a denunciar o conteúdo.

A influenciadora Hana Khalil publicou um posicionamento nas redes afirmando que os vídeos contribuem para normalizar a violência contra mulheres e reforçar comportamentos misóginos.

A repercussão ampliou a pressão para que a plataforma retirasse o material do ar e colaborasse com a investigação.

Violência contra mulheres no Brasil

A apuração da Polícia Federal ocorre em um momento de preocupação com os índices de violência de gênero no país.

Dados recentes apontam que o Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios da última década. Foram 1.568 mulheres assassinadas em razão do gênero, aumento de 4,7% em relação a 2024, quando foram registrados 1.492 casos.

Na prática, os números indicam que quatro mulheres foram mortas por dia no país no último ano.

A investigação da PF busca identificar os responsáveis pela criação e disseminação do conteúdo e avaliar se houve crime na produção e divulgação dos vídeos.


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