Presídio Regional de Criciúma abriga cerca de 1.180 detentos e enfrenta superlotação

Direção da unidade aponta rotatividade de presos, anuncia transferências e detalha ações de segurança e projetos de ressocialização.

José Demathé

Publicado em: 12 de março de 2026

6 min.

Presídio Regional de Criciúma abriga cerca de 1.180 detentos e enfrenta superlotação Foto: divulgação

A realidade do sistema prisional e a situação atual do Presídio Regional de Criciúma foram tema da reportagem da jornalista Manuela Oliveira na Rádio Cidade em Dia 89.1. O diretor da unidade, Júnior Rodrigo Fagundes, e o superintendente da Regional Sul da Polícia Penal, Marcos Aurélio Spinardi, abordaram temas como superlotação, segurança e os desafios da gestão carcerária em Santa Catarina.

Segundo Fagundes, a unidade opera atualmente com cerca de 1.180 detentos, número que supera a capacidade planejada. Apesar disso, ele afirma que a estrutura do presídio permite manter as atividades e garantir a segurança.

“A superlotação é um problema histórico do sistema prisional. O presídio regional não está diferente disso, está um pouco acima da capacidade, mas temos uma estrutura muito boa que permite desempenhar o trabalho e manter a ordem e a segurança da unidade”, afirmou.

O diretor também explicou que a quantidade de presos varia constantemente devido à rotatividade de entradas e saídas no sistema.

Transferências devem reduzir lotação

Para tentar equilibrar a ocupação das unidades, a Secretaria de Estado da Justiça e Reintegração Social autorizou a transferência de detentos do presídio de Criciúma.

De acordo com o superintendente regional, o sistema prisional catarinense vem registrando aumento significativo no número de pessoas presas nos últimos anos.

Spinardi destacou que, até 2023 e 2024, o crescimento médio era de cerca de mil novos presos por ano. Em 2025, no entanto, o sistema recebeu aproximadamente três mil novos detentos.

“Nos últimos 15 dias houve um avanço importante, que é o controle da administração das vagas no sistema prisional. Isso permite equilibrar as unidades com transferências e permutas entre regimes”, explicou.

Segundo ele, nos próximos dias um número expressivo de presos deve ser transferido do Presídio Regional de Criciúma para outras unidades, como parte desse processo de redistribuição.

Controle de celulares e drogas

Outro desafio citado pela direção da unidade é impedir a entrada de celulares e drogas no presídio. Para isso, o local utiliza equipamentos de segurança e procedimentos de revista.

Entre as medidas adotadas estão:

  • uso de scanner corporal;
  • revistas estruturadas;
  • treinamento constante da equipe de segurança.

Fagundes afirma que as apreensões ocorrem eventualmente, mas que o trabalho da equipe tem reduzido a circulação de materiais ilícitos dentro da unidade.

“Se existe algum celular dentro do presídio, vamos encontrar. Já fizemos apreensões, mas com os equipamentos e o treinamento da equipe conseguimos minimizar bastante esse tipo de situação”, disse.

Tentativas de fuga são raras

Durante a entrevista, o diretor também destacou que tentativas de fuga são incomuns no presídio, resultado da aplicação de protocolos de segurança estabelecidos pelo Estado.

Segundo ele, todas as movimentações de detentos, tanto dentro quanto fora da unidade, seguem normas rígidas para reduzir riscos de fugas ou motins.

“Existe toda uma normativa que define os procedimentos de segurança. Isso ajuda a minimizar qualquer possibilidade de tentativa de fuga”, explicou.

Projeto com universidade busca conscientização

Além das ações de segurança, o presídio também desenvolve iniciativas voltadas à ressocialização. Uma delas é um projeto em parceria com a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc).

A proposta prevê encontros entre estudantes da universidade e detentos condenados por crimes de violência contra a mulher.

Durante as atividades, serão realizadas palestras e debates com o objetivo de promover reflexão e evitar a reincidência desse tipo de crime após o cumprimento da pena.

“Queremos trabalhar a conscientização para que, quando esses internos retornarem à sociedade, não voltem a se envolver nesse tipo de situação”, destacou Fagundes.


FIQUE BEM INFORMADO: 📲 Fique por dentro do que acontece em Santa Catarina!

Entre agora no nosso canal no WhatsApp e receba as principais notícias direto no seu celular.
👉 Clique aqui e acompanhe:



× SCTODODIA Rádios