Caminhoneiros que atuam no transporte de contêineres em Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina, avaliam uma paralisação a partir de 1º de abril de 2026. A mobilização foi anunciada pelo Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas e Contêineres em Geral de Navegantes e Região (Sinditac), que pede a suspensão de decretos municipais que alteraram regras de circulação e estacionamento de caminhões na cidade.
Os pedidos foram encaminhados ao prefeito Liba Fronza (PSD) e ao vice-prefeito Ricardo Ventura (PP). Segundo a entidade, a intenção é suspender temporariamente as normas para permitir negociação com a categoria e discutir alternativas para o setor.
O que mudou com os decretos
As novas regras definiram uma rota específica para caminhões em 15 ruas do município. Além disso, o estacionamento de veículos de carga foi proibido em outras vias da cidade.
Com a regulamentação, empresas e transportadoras passam a ser responsáveis por disponibilizar pátios próprios para parada e espera dos caminhões, o que, segundo representantes da categoria, pode gerar dificuldades operacionais.
A fiscalização das novas regras está prevista para começar em abril.
Categoria cobra diálogo e estudos técnicos
O Sinditac afirma que as medidas foram adotadas sem estudos técnicos que avaliem os impactos logísticos, econômicos e sociais para o setor de transporte de cargas.
Entre as principais críticas da entidade estão:
- ausência de estudos sobre os efeitos da nova rota;
- falta de áreas públicas de apoio para caminhoneiros;
- inexistência de pátios estruturados para parada e espera dos veículos.
De acordo com o sindicato, a suspensão temporária dos decretos permitiria a abertura de um diálogo mais amplo entre poder público e profissionais do transporte.
Impacto pode atingir cadeia logística
A atividade de transporte ligada ao porto tem forte presença em Navegantes. Dados do sindicato, com base em registros da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), apontam que o município conta com:
- 962 caminhoneiros autônomos
- 254 transportadoras
- 1 cooperativa de transporte
A estimativa é de que cerca de 2 mil caminhões estejam envolvidos diretamente nas operações logísticas da região.
Caso a paralisação seja confirmada, o movimento pode afetar operações do Porto de Navegantes, além de armadores, terminais retroportuários e empresas da cadeia de transporte.
Até o momento, a prefeitura não divulgou posicionamento oficial sobre o pedido de suspensão dos decretos.
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