O aumento no preço do óleo diesel já compromete a operação do transporte de cargas no Brasil e pode desencadear paralisações com impacto direto no abastecimento. O alerta foi feito pelo presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc), Dagnor Schneider, em entrevista nesta quarta-feira (18), à Rádio Cidade em Dia, do Grupo SCTODODIA.
Segundo ele, ainda não há confirmação concreta de uma paralisação nacional de caminhoneiros, mas o cenário é considerado “delicado” e com risco real de avanço do movimento, impulsionado principalmente pelo custo elevado do combustível.
Diesel representa até metade dos custos
De acordo com Schneider, o diesel pode chegar a representar até 50% do custo operacional do transporte. Quando esse aumento não é repassado ao valor do frete, toda a cadeia entra em desequilíbrio.
O impacto ocorre em etapas:
- Transportadoras absorvem o aumento inicial
- Negociação com embarcadores enfrenta resistência
- Fretes não são reajustados no ritmo necessário
- Autônomos passam a recusar cargas por inviabilidade financeira
“Se o custo não for incorporado ao frete, o transportador não consegue continuar operando”, afirmou.
Efeito em cadeia ameaça logística
O dirigente destacou que a dificuldade de reajuste dos fretes já provoca consequências práticas. Entre elas, o risco de desabastecimento, que pode começar pelo próprio diesel.
Há relatos de postos com falta de combustível em diferentes regiões do país, o que agrava ainda mais a situação logística.
“Quando o caminhão para, você para o abastecimento do país. A economia brasileira se movimenta sobre rodas”, explicou.
Pressão internacional e falta de investimento
Schneider também apontou fatores estruturais que agravam o problema. Apesar de o Brasil ter produção de petróleo, a limitação no refino obriga o país a depender do mercado internacional.
Ele citou ainda a ausência de investimentos em refinarias e a exposição a crises externas, como conflitos envolvendo grandes produtores de petróleo, que afetam diretamente os preços.
Possibilidade de paralisação preocupa setor
Embora não haja confirmação oficial de greve, o presidente da Fetrancesc reconhece que o movimento é possível diante do cenário atual.
A mobilização, segundo ele, é descentralizada e sem liderança clara, o que dificulta previsões. Ainda assim, o histórico de 2018 acende o alerta para os impactos que uma paralisação pode causar.
Apelo por diálogo
Diante do cenário, o setor defende diálogo entre todos os envolvidos:
- Governo
- Embarcadores
- Transportadoras
- Caminhoneiros autônomos
O objetivo é buscar equilíbrio nos contratos e garantir a continuidade das operações.
“É preciso sensibilidade e responsabilidade para evitar um colapso logístico”, concluiu Schneider.
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