A data prevista para o que pode ser uma das maiores paralisações da história recente do país chegou. Após uma reunião estratégica realizada nessa quarta-feira (18) com lideranças de todo o Brasil, o secretário-geral da Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga (ANTC), Sérgio Pereira, confirmou o início de uma greve nacional da categoria a partir desta quinta-feira (19). O movimento, classificado pelos organizadores como ordeiro e consciente, promete parar o país sem bloquear rodovias.
A decisão foi tomada em um clima de “indignação e revolta” unânime, segundo os participantes. O estopim é uma combinação de fatores que, de acordo com os caminhoneiros, torna o trabalho inviável: os sucessivos aumentos no preço do diesel, a defasagem na tabela do frete e a falta de fiscalização sobre os abusos nos preços dos combustíveis. “O caminhoneiro brasileiro está sendo sufocado. Trabalhar virou sinônimo de prejuízo”, resume a nota divulgada após o encontro.
A estratégia e o recado ao governo
Diferente de movimentos anteriores que resultaram em bloqueios de vias, a orientação da liderança é clara: a paralisação será pacífica e sem obstrução de estradas. A categoria foi convocada a se concentrar em pontos estratégicos, como o Porto de Itajaí, a partir do início desta manhã de quinta-feira (19). A partir do meio-dia, a orientação é que os caminhoneiros não carreguem seus veículos e não aceitem fretes das transportadoras.
“Nosso movimento é sério, responsável e ordeiro. Afinal, quem gosta de confusão é o Governo Federal”, afirma a convocatória, que também denuncia tentativas da Justiça de impedir a mobilização. “Isso prova que estamos mexendo onde muitos não queriam que se mexesse”, completou a nota da ANTC.
Pauta de sobrevivência
A lista de reivindicações apresentada pela ANTC vai além do preço do diesel e da atualização da tabela do frete. Entre os principais pontos estão:
- Aposentadoria especial aos 25 anos para motoristas, reconhecendo a penosidade da profissão.
- Fiscalização rigorosa e aplicação de multas às empresas que descumprirem o piso mínimo de frete.
- Retomada da distribuição de combustível pela Petrobras para equilibrar os preços no mercado.
- Criação de infraestrutura básica (banheiros, chuveiros, locais de descanso) nas estradas e portos.
O cenário em Santa Catarina
Na manhã desta quinta-feira (19), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que todas as rodovias federais de Santa Catarina apresentavam fluxo normal. O órgão não foi notificado oficialmente sobre a paralisação, mas mantém equipes de monitoramento em todo o Estado para reagir a qualquer alteração causada por movimentos sociais.
A PRF reforça que informações em tempo real sobre as condições das rodovias podem ser acompanhadas pelo canal oficial da instituição no WhatsApp.
A categoria, no entanto, promete mostrar sua força. “Chegou a hora de mostrar que sem o caminhoneiro, o Brasil não anda. Juntos somos mais fortes. E dessa vez, não vamos recuar”, finaliza o comunicado da liderança nacional.
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