Uma mudança no ensino médio, implementada neste ano em todo o país, tem gerado impactos diretos na rotina de famílias em Tubarão, no Sul de Santa Catarina. O aumento da carga horária escolar, previsto na Lei nº 14.945/2024, fez com que estudantes passassem a sair mais tarde das escolas, mas os horários do transporte público não foram ajustados, provocando atrasos, custos extras e dificuldades no dia a dia.
A repórter Jhuli Spindola, da Rádio Cidade Tubarão 103.7 FM, conversou com moradores e autoridades sobre a situação.
A legislação, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ampliou a carga horária da formação geral básica para 2.400 horas. A proposta busca melhorar a qualidade do ensino, com mais aprofundamento de conteúdos e retorno de disciplinas. No entanto, na prática, a mudança tem gerado efeitos colaterais em cidades como Tubarão.
Mudança de horário afeta rotina das famílias
Antes da alteração, estudantes saíam das escolas por volta das 11h30 e conseguiam chegar em casa por volta de 12h15. Com a inclusão de uma aula a mais, o término das aulas passou para 12h15, criando um descompasso com os horários de ônibus.
Sem linhas disponíveis no novo horário, muitos alunos enfrentam longas esperas nos pontos ou dependem de alternativas mais caras.
Relatos mostram impacto direto no dia a dia
A dificuldade é sentida principalmente por famílias que dependem exclusivamente do transporte coletivo.
A moradora do bairro Campestre, Vanessa Cardoso, relata que precisou mudar completamente a rotina com a filha. Sem ônibus disponível após o novo horário escolar, ela passou a gastar com transporte por aplicativo.
Em apenas uma semana, o custo chegou a cerca de R$ 75. Em alguns dias, a estudante precisou esperar até 40 minutos no ponto após o fim das aulas.
Situação semelhante vive a mãe Vânia, do bairro Passagem, que precisa conciliar trabalho e cuidados com os filhos. Segundo ela, o novo horário comprometeu toda a organização familiar.
“O problema do ônibus é que minha filha está chegando 13h em casa e eu preciso estar no trabalho às 13h10. Antes, ela chegava por volta de 12h20 e dava tempo. Agora está muito difícil”, relata.
Outra mãe, Kellem, também aponta prejuízos financeiros, já que precisou assumir o transporte do filho com veículo próprio. Ela ainda critica a falta de comunicação sobre as mudanças e afirma não ter recebido retorno após procurar autoridades.
Autoridades reconhecem problema
O coordenador da Coordenadoria Regional de Educação, Milton Torres, afirma que a situação é mais complexa por envolver transporte coletivo, e não linhas exclusivas para estudantes.
“Como é transporte de linha, precisamos dialogar com a empresa e entender as rotas para tentar ajustar os horários”, explicou.
O gestor de mobilidade de Tubarão, Daniel Machado, também confirmou que o problema já chegou ao município. Segundo ele, a mudança na grade escolar impactou diretamente a logística do transporte público.
Contrato do transporte dificulta ajustes
O cenário é agravado por questões contratuais. De acordo com o advogado do Consórcio Cidade Azul, responsável pelo transporte na cidade, o contrato atual está em processo de rescisão judicial.
Segundo ele, a empresa não tem feito novos investimentos devido ao déficit financeiro e à indefinição contratual. Além disso, reforça que o transporte não é exclusivo para estudantes, o que limita a criação de novos horários.
Expectativa por soluções
Enquanto não há uma solução definitiva, pais seguem improvisando para garantir que os filhos consigam voltar para casa. A expectativa é de que prefeitura, Secretaria de Educação e empresa responsável encontrem um ajuste para minimizar os impactos.
A situação evidencia um desafio comum em políticas públicas: mudanças estruturais, como a reforma do ensino médio, exigem planejamento integrado para evitar que avanços na educação gerem problemas em outras áreas essenciais, como o transporte.
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