O assessor jurídico do SC Petro, Alan Mafra, afirmou que Santa Catarina não enfrenta risco generalizado de desabastecimento de combustíveis, apesar de registros pontuais em algumas regiões. A declaração foi feita nesta segunda-feira (23), em entrevista ao jornalista Denis Luciano, na Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA.
De acordo com Mafra, o cenário atual é resultado de um aumento recente na demanda, impulsionado pelo receio dos consumidores quanto à possível falta de combustíveis. Esse comportamento elevou o consumo e expôs limitações logísticas na reposição de estoques em determinados postos.
Situações pontuais, não generalizadas
Segundo o assessor, não há indicativo de racionamento ou falta generalizada no estado. Os casos registrados são isolados e ligados, principalmente, à cadeia de distribuição.
Ele explica que os postos não compram diretamente das refinarias, mas sim de distribuidoras, que também enfrentam limitações de estoque e logística. Além disso, parte do combustível é importada, o que amplia a complexidade do abastecimento.
Relatos de revendedores que receberam volumes menores do que o contratado também foram confirmados, mas, novamente, como situações específicas e não generalizadas.
Leilões e custos pressionam mercado
Outro fator que contribui para o cenário atual é a dinâmica de compra das distribuidoras. Quando esgotam suas cotas, precisam recorrer a leilões promovidos pela Petrobras.
Nesses casos, os valores podem ser elevados. Há registros recentes de ágio entre R$ 1,80 e R$ 2,00 por litro de diesel, o que impacta diretamente no custo final ao consumidor.
Preço dos combustíveis segue influenciado pelo exterior
Sobre os preços, Mafra destacou que a formação é livre, mas fortemente influenciada por fatores internacionais, especialmente pela cotação do barril de petróleo, que ultrapassou os 100 dólares.
Entre os principais fatores que pressionam os valores estão:
- Alta do petróleo no mercado internacional
- Custos de importação
- Reajustes recentes da Petrobras
- Carga tributária (mesmo com medidas de redução)
- Custos logísticos e leilões com ágio
Esse conjunto de elementos explica a aproximação do diesel aos R$ 8 e da gasolina aos R$ 7 em algumas regiões.
Conflito internacional agrava cenário
O assessor também chamou atenção para os reflexos do conflito no Oriente Médio. A instabilidade na região, especialmente em áreas estratégicas como o Estreito de Ormuz, afeta diretamente a logística global de combustíveis.
Quanto mais prolongado o conflito, maior tende a ser o impacto nos preços e na oferta mundial, com reflexos no Brasil.
Governo tenta conter alta
Medidas recentes do governo federal buscam reduzir os impactos no bolso do consumidor, como:
- Redução ou zeragem de PIS/Cofins
- Tentativas de negociação do ICMS com estados
- Subvenções para refino e importação
Apesar disso, o cenário ainda exige atenção, especialmente se a crise internacional se prolongar.
Corrida aos postos é desnecessária
Por fim, Mafra reforçou que não há necessidade de corrida aos postos neste momento. Segundo ele, esse comportamento contribui justamente para agravar os gargalos logísticos.
A orientação é que os consumidores mantenham a normalidade, já que não há risco iminente de desabastecimento em nível estadual.
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