SC não tem risco de desabastecimento geral

Entrevista aponta alta no consumo, gargalos logísticos e impacto do cenário internacional nos preços

José Demathé

Publicado em: 23 de março de 2026

5 min.

SC não tem risco de desabastecimento geral Foto: divulgação

O assessor jurídico do SC Petro, Alan Mafra, afirmou que Santa Catarina não enfrenta risco generalizado de desabastecimento de combustíveis, apesar de registros pontuais em algumas regiões. A declaração foi feita nesta segunda-feira (23), em entrevista ao jornalista Denis Luciano, na Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA.

De acordo com Mafra, o cenário atual é resultado de um aumento recente na demanda, impulsionado pelo receio dos consumidores quanto à possível falta de combustíveis. Esse comportamento elevou o consumo e expôs limitações logísticas na reposição de estoques em determinados postos.

Situações pontuais, não generalizadas

Segundo o assessor, não há indicativo de racionamento ou falta generalizada no estado. Os casos registrados são isolados e ligados, principalmente, à cadeia de distribuição.

Ele explica que os postos não compram diretamente das refinarias, mas sim de distribuidoras, que também enfrentam limitações de estoque e logística. Além disso, parte do combustível é importada, o que amplia a complexidade do abastecimento.

Relatos de revendedores que receberam volumes menores do que o contratado também foram confirmados, mas, novamente, como situações específicas e não generalizadas.

Leilões e custos pressionam mercado

Outro fator que contribui para o cenário atual é a dinâmica de compra das distribuidoras. Quando esgotam suas cotas, precisam recorrer a leilões promovidos pela Petrobras.

Nesses casos, os valores podem ser elevados. Há registros recentes de ágio entre R$ 1,80 e R$ 2,00 por litro de diesel, o que impacta diretamente no custo final ao consumidor.

Preço dos combustíveis segue influenciado pelo exterior

Sobre os preços, Mafra destacou que a formação é livre, mas fortemente influenciada por fatores internacionais, especialmente pela cotação do barril de petróleo, que ultrapassou os 100 dólares.

Entre os principais fatores que pressionam os valores estão:

  • Alta do petróleo no mercado internacional
  • Custos de importação
  • Reajustes recentes da Petrobras
  • Carga tributária (mesmo com medidas de redução)
  • Custos logísticos e leilões com ágio

Esse conjunto de elementos explica a aproximação do diesel aos R$ 8 e da gasolina aos R$ 7 em algumas regiões.

Conflito internacional agrava cenário

O assessor também chamou atenção para os reflexos do conflito no Oriente Médio. A instabilidade na região, especialmente em áreas estratégicas como o Estreito de Ormuz, afeta diretamente a logística global de combustíveis.

Quanto mais prolongado o conflito, maior tende a ser o impacto nos preços e na oferta mundial, com reflexos no Brasil.

Governo tenta conter alta

Medidas recentes do governo federal buscam reduzir os impactos no bolso do consumidor, como:

  • Redução ou zeragem de PIS/Cofins
  • Tentativas de negociação do ICMS com estados
  • Subvenções para refino e importação

Apesar disso, o cenário ainda exige atenção, especialmente se a crise internacional se prolongar.

Corrida aos postos é desnecessária

Por fim, Mafra reforçou que não há necessidade de corrida aos postos neste momento. Segundo ele, esse comportamento contribui justamente para agravar os gargalos logísticos.

A orientação é que os consumidores mantenham a normalidade, já que não há risco iminente de desabastecimento em nível estadual.


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