Novo presídio em Araranguá deve aliviar superlotação em unidades prisionais da região

Em entrevista à Rádio Cidade Tubarão 103.7 FM, a advogada criminalista Luana Vieira explicou que a obra é importante, mas não resolve o problema estrutural

Eduardo Fogaça

Publicado em: 23 de março de 2026

5 min.
Novo presídio em Araranguá deve aliviar superlotação em unidades prisionais da região. Foto: Divulgação

Novo presídio em Araranguá deve aliviar superlotação em unidades prisionais da região. Foto: Divulgação

A construção do novo Presídio Regional de Araranguá, iniciada em janeiro de 2026, reacende o debate sobre a superlotação no sistema prisional do Sul de Santa Catarina. A unidade, com previsão de entrega para meados de 2028, terá 686 vagas e deve ajudar a reduzir a pressão sobre cadeias já saturadas.

Em entrevista à Rádio Cidade Tubarão 103.7 FM, a advogada criminalista Luana Vieira explicou que a obra é importante, mas não resolve o problema estrutural.

“A superlotação existe em todo o sistema”

Segundo a especialista, a realidade enfrentada na região é reflexo de um cenário nacional.

“A superlotação existe em todo o sistema carcerário, não é uma realidade só da nossa região. A construção da penitenciária em Araranguá é um paliativo, vai colaborar, mas está muito abaixo do que a gente precisa”, afirmou.

Déficit de vagas segue alto em Santa Catarina

Mesmo com a nova unidade, o estado ainda enfrenta um grande déficit. Dados recentes apontam falta de cerca de 7 mil vagas no sistema prisional catarinense.

“A obra iniciou agora e tem prazo de 31 meses, com previsão para junho de 2028. São 686 vagas, muito abaixo da necessidade atual”, destacou Luana.

Presídios da região operam acima da capacidade

A situação em cidades do Sul do estado evidencia a gravidade do problema. Em Tubarão, por exemplo, o número de detentos é mais que o dobro da capacidade.

“Hoje a gente tem cerca de 600 presos para uma capacidade de 286 vagas. Tem cela para oito presos com 18, 19, já chegamos a 21 pessoas”, relatou.

Limite do CNJ é ultrapassado

O Conselho Nacional de Justiça estabelece um limite de até 137,5% da capacidade das unidades. No entanto, segundo a advogada, a realidade está muito além disso.

“Todas as unidades da região funcionam acima da capacidade. Laguna, Imbituba, Tubarão… é um problema generalizado”, disse.

Ressocialização fica comprometida

Outro ponto destacado é a dificuldade de ressocialização diante das condições atuais.

“Como é que a gente vai ressocializar um reeducando sem condições mínimas? Sem trabalho, sem curso, sem estrutura? Esse preso vai voltar para a sociedade”, alertou.

Construção de vagas é solução imediata, mas não definitiva

Para a advogada, ampliar vagas é necessário no curto prazo, mas não resolve o problema de forma definitiva.

“A curto prazo, infelizmente, não tem outra solução a não ser construir vagas. A de Araranguá vai ajudar, mas não resolve”, explicou.

Investimento na base é o caminho

Luana Vieira defende que o enfrentamento da criminalidade deve começar antes do sistema prisional.

“O ideal é que o crime não aconteça. Isso passa por investimento em educação, esporte e oportunidades. Senão, vira um ciclo que nunca termina”, concluiu.


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