Estudo da UFSC revela que mosquito da malária é formado por cinco espécies

Descoberta de cinco linhagens pode tornar o combate à malária mais preciso e eficiente no Sul e Sudeste do Brasil

Vitor Wolff

Publicado em: 24 de março de 2026

4 min.
Estudo da UFSC revela que mosquito da malária é formado por cinco espécies - Foto: Divulgação/UFSC

Estudo da UFSC revela que mosquito da malária é formado por cinco espécies - Foto: Divulgação/UFSC

Um estudo com participação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) revelou que o mosquito Anopheles cruzii, conhecido por transmitir malária na Mata Atlântica, não é uma única espécie, mas sim um conjunto de cinco linhagens geneticamente distintas. A descoberta foi publicada em fevereiro na revista científica Communications Biology, do grupo Nature.

A pesquisa analisou o DNA de mosquitos coletados em diferentes estados do Sul e Sudeste e identificou cinco grupos — chamados de A, B, C, D e E — que, embora sejam visualmente semelhantes, não se reproduzem entre si.

Descoberta pode mudar combate à malária

O principal impacto do estudo está na forma de combater a doença. Segundo os pesquisadores, nem todas as linhagens têm a mesma capacidade de transmitir o parasita da malária.

Isso significa que, ao identificar quais espécies são realmente responsáveis pela transmissão, será possível direcionar melhor as ações de controle, tornando-as mais eficientes e menos custosas.

Presença na região Sul

A linhagem mais comum na faixa litorânea, incluindo Florianópolis, é a do tipo A. Já outras linhagens têm distribuição mais restrita, aparecendo em regiões específicas da Mata Atlântica.

Os dados também indicam que casos históricos de malária no Sul e Sudeste podem estar associados a apenas uma dessas espécies.

Tecnologia foi decisiva

Para chegar ao resultado, os cientistas utilizaram análise genômica avançada, que permite identificar diferenças no DNA que não são visíveis a olho nu. Esse método supera limitações de técnicas tradicionais, baseadas apenas em características físicas dos insetos.

Com isso, será possível desenvolver ferramentas mais precisas para identificar rapidamente qual tipo de mosquito está presente em cada região.

Doença ainda exige atenção

Embora a maioria dos casos de malária no Brasil esteja concentrada na Amazônia, a Mata Atlântica ainda apresenta risco. Fatores como alta densidade populacional e circulação de pessoas vindas de áreas endêmicas contribuem para a preocupação.

A nova descoberta abre caminho para estratégias mais específicas de vigilância e controle da doença no país.


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