A crise internacional do petróleo já impacta diretamente a indústria plástica no Sul de Santa Catarina, com aumento expressivo nos custos de produção e risco de desabastecimento. O tema foi detalhado pelo diretor-executivo do Sinplasc, Elias Caetano, em entrevista à Rádio Cidade em Dia (89.1 FM), nesta terça-feira (24), ao jornalista Denis Luciano.
Segundo Caetano, o setor, que reúne cerca de 240 indústrias e gera aproximadamente 12 mil empregos diretos na região, enfrenta uma rápida mudança no cenário global. Após um período recente de sobreoferta e preços mais baixos, a alta do petróleo e do gás natural elevou significativamente o valor das resinas plásticas — principal matéria-prima da indústria.
Alta de custos e impacto em cadeia
De acordo com o dirigente, os preços das resinas, como polipropileno e polietileno, chegaram a dobrar em pouco tempo, passando de cerca de 700 dólares para até 1.500 dólares por tonelada. Em alguns casos, os reajustes ocorrem diariamente, o que dificulta o planejamento das empresas.
Esse aumento gera um efeito dominó em toda a cadeia produtiva:
- Elevação dos custos industriais
- Redução das margens das empresas
- Pressão sobre preços de produtos finais
- Impacto direto no consumidor
Produtos como embalagens de alimentos, itens de higiene e descartáveis estão entre os mais afetados.
Risco de desabastecimento preocupa setor
Além do aumento de preços, o setor já observa sinais de possível falta de matéria-prima no mercado global.
Segundo Caetano, a combinação entre custos elevados e dificuldade de acesso aos insumos cria um cenário considerado adverso para a indústria de transformação. “Mesmo mais caro, pode faltar produto”, destacou durante a entrevista.
Desvantagem competitiva do Brasil
Outro fator que agrava a situação é a matriz produtiva brasileira. Enquanto outros países utilizam gás natural — mais barato — para produzir plástico, o Brasil depende majoritariamente da nafta, derivada do petróleo, o que reduz a competitividade da indústria nacional.
Alternativas e desafios do setor
Diante do cenário, empresas têm buscado alternativas para reduzir a dependência do petróleo, como o uso de materiais de fonte renovável. O Brasil, inclusive, é referência na produção de plástico a partir da cana-de-açúcar.
No entanto, essa alternativa ainda é considerada limitada em escala e custo para atender toda a demanda do mercado.
Agenda positiva e resiliência
Apesar das dificuldades, o setor aposta em iniciativas estruturantes para garantir sua sustentabilidade. Um dos destaques é o projeto “Defesa Circular”, desenvolvido na região Sul catarinense, que busca fortalecer a reciclagem e reposicionar o debate sobre o uso do plástico no país.
Caetano reforçou que a indústria local possui diversidade e capacidade de adaptação, o que contribui para enfrentar o momento de instabilidade global.
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