Medo pode afastar leitores dos livros, alerta especialista

Entrevista na Rádio Cidade em Dia destaca que bloqueio vai além da preguiça e envolve inseguranças com a leitura

José Demathé

Publicado em: 24 de março de 2026

5 min.

A biblioterapeuta, psicóloga e professora Camila Milanese participou, nesta terça-feira (24), de uma entrevista na Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, conduzida pelo jornalista Paulo Monteiro, para falar sobre os desafios que afastam as pessoas da leitura.

Durante a conversa, a especialista destacou que o que muitas vezes é interpretado como preguiça pode, na verdade, estar relacionado ao medo de ler e de entrar em contato com novas ideias e reflexões. Segundo Camila, esse sentimento é mais comum do que se imagina e faz parte do processo humano de aprendizagem.

Medo pode estar por trás da falta de leitura

De acordo com a psicóloga, a leitura tem o poder de provocar mudanças internas, o que pode gerar desconforto em algumas pessoas.

“Nem sempre é falta de vontade. Muitas vezes existe o receio de encontrar algo no livro que nos faça pensar diferente ou rever situações da própria vida”, explicou.

Ela citou obras como Fahrenheit 451, clássico da literatura que aborda uma sociedade onde livros são proibidos, como exemplo de como a leitura pode estimular o pensamento crítico — algo que, historicamente, já foi visto como ameaça em determinados contextos.

Zona de conforto influencia escolha dos livros

Outro ponto destacado na entrevista foi a tendência de permanecer na chamada “zona de conforto” literária. Segundo Camila, leitores iniciantes ou que estão retomando o hábito tendem a escolher conteúdos mais familiares para evitar frustrações.

Ela ressalta que isso é natural, mas alerta para a importância de explorar novas narrativas aos poucos, respeitando o próprio ritmo.

Abandonar um livro também faz parte do processo

A especialista reforçou que não há problema em interromper a leitura de um livro que não está sendo proveitoso naquele momento.

Entre as principais orientações, ela destacou:

  • Não insistir em obras que não despertam interesse;
  • Começar por leituras mais leves e acessíveis;
  • Entender que o gosto literário muda com o tempo;
  • Evitar encarar a leitura como obrigação.

Segundo Camila, essa flexibilidade ajuda a evitar frustrações e contribui para a construção de um hábito mais consistente.

Clube de leitura incentiva novos leitores

Durante a entrevista, a psicóloga também convidou adolescentes de 12 a 17 anos para participarem de um clube de leitura realizado em parceria com a Livraria Fátima. O próximo encontro acontece na sexta-feira (27), com discussão sobre o livro Fahrenheit 451.

A participação é gratuita e aberta a jovens, mesmo aqueles que ainda não concluíram a leitura da obra.

Leitura como ferramenta de desenvolvimento

Para Camila Milanese, a literatura continua sendo uma ferramenta essencial para o desenvolvimento pessoal e social, mesmo diante das distrações digitais.

Ela reforça que o mais importante é criar uma relação saudável com os livros, sem pressão, permitindo que a leitura seja um espaço de descoberta e não de cobrança.


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