As praias estão entre os ambientes mais importantes para a economia e o meio ambiente, mas também figuram entre os mais vulneráveis às mudanças climáticas. Diante desse cenário, pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) desenvolvem um índice inédito para avaliar impactos socioambientais no litoral, com foco inicial em Santa Catarina.
O projeto é realizado em parceria com a Universidade de Antioquia, da Colômbia, e surgiu a partir da dissertação de mestrado do pesquisador Andrés Guarín, no programa de pós-graduação em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental da Udesc Laguna. A orientação é do professor Eduardo Gentil, do curso de Ciências Biológicas.
Praias sob risco crescente
Segundo os pesquisadores, as regiões costeiras sofrem pressão constante de eventos extremos, como tempestades, além dos efeitos das mudanças climáticas. Estimativas indicam que o nível do mar pode subir até 40 centímetros nas próximas décadas, aumentando o risco de prejuízos econômicos e ambientais.
Apesar da relevância, a avaliação sistemática da qualidade ambiental das praias ainda é limitada na América do Sul, com maior concentração de estudos no litoral europeu.
Para o professor Eduardo Gentil, o desenvolvimento de ferramentas de análise é fundamental para antecipar problemas e orientar políticas públicas.
“A avaliação da qualidade ambiental é uma alternativa sólida para identificar potenciais problemas e adaptar soluções, evitando maiores conflitos nas regiões costeiras”, explica.
Índice adaptado para Santa Catarina
Após aplicação inicial no Caribe colombiano, o estudo avança agora para a realidade brasileira. A equipe trabalha na adaptação do índice às características do litoral catarinense, considerando diferenças ambientais e socioeconômicas.
A expectativa é que a ferramenta esteja concluída entre março e abril do próximo ano.
“Embora existam similaridades, é necessário validar e ajustar o índice para contemplar as particularidades de cada região”, destaca Gentil.
Como a ferramenta pode ajudar
O índice em desenvolvimento pretende transformar dados técnicos em informações práticas para a gestão pública e ambiental. Entre as principais aplicações, estão:
- Identificação de áreas mais vulneráveis no litoral;
- Apoio à criação de políticas de zoneamento costeiro;
- Planejamento de ações preventivas contra impactos ambientais;
- Melhor alocação de recursos públicos em regiões críticas;
- Integração com sistemas de monitoramento contínuo de risco.
A proposta é permitir decisões mais rápidas e eficientes, reduzindo prejuízos sociais, econômicos e ambientais.
Cooperação internacional
A pesquisa integra um esforço de cooperação internacional e já demonstrou potencial de expansão para outras regiões da América do Sul. Com a adaptação para Santa Catarina, os pesquisadores esperam contribuir diretamente para o uso sustentável das praias e a preservação do litoral.
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