China aposta em robôs para cuidar de idosos e choca o mundo

Envelhecimento acelerado e queda populacional levam país a investir em tecnologia para suprir falta de mão de obra

Redação

Publicado em: 25 de março de 2026

6 min.
China aposta em robôs para cuidar de idosos e choca o mundo. - Foto: Liang Xu/Xinhua

China aposta em robôs para cuidar de idosos e choca o mundo. - Foto: Liang Xu/Xinhua

A China intensificou o uso de robôs humanoides não apenas na indústria, mas também no cuidado de idosos, em resposta ao rápido envelhecimento da população e à redução da força de trabalho. Em 2025, o país registrou mais mortes do que nascimentos, mantendo uma tendência iniciada em 2022, segundo dados oficiais.

O cenário demográfico pressiona sistemas de saúde, previdência e assistência social, levando o governo e empresas a apostar na automação como solução estrutural para a demanda crescente por cuidados de longo prazo.

Envelhecimento acelera transformação tecnológica

Dados do Departamento Nacional de Estatísticas apontam que a China já possui 323 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a cerca de 23% da população. A projeção é que esse número chegue a 400 milhões até 2035.

Com menos jovens no mercado de trabalho, o país enfrenta desafios para sustentar serviços básicos, especialmente no atendimento à população idosa. Nesse contexto, a tecnologia passou a ocupar papel central nas políticas públicas.

Robôs saem das fábricas e chegam às casas

A base dessa transformação está na forte indústria robótica chinesa, que há mais de uma década lidera a instalação de robôs industriais. Agora, empresas avançam para adaptar essas máquinas ao ambiente doméstico.

Os robôs humanoides têm como principal vantagem a capacidade de operar em espaços projetados para humanos, o que reduz a necessidade de adaptações estruturais. Isso facilita sua utilização em residências e centros de cuidado.

Como funcionam os robôs de cuidado

Os dispositivos combinam sensores, mobilidade e inteligência artificial para executar tarefas do dia a dia. Entre as principais funções, estão:

  • Monitoramento de saúde e movimentos
  • Lembretes de medicamentos
  • Reconhecimento de voz e comandos
  • Auxílio na locomoção
  • Envio de alertas para familiares ou profissionais

Apesar dos avanços, a autonomia ainda é limitada. Em muitos casos, os robôs dependem de supervisão humana ou programação prévia para tarefas mais complexas.

Estratégia nacional impulsiona setor

O uso desses robôs faz parte de uma política industrial mais ampla. A China incluiu a robótica e a inteligência artificial como setores estratégicos e passou a integrá-los às políticas sociais.

O governo tem incentivado:

  • Digitalização dos serviços de cuidado
  • Financiamento de empresas do setor
  • Testes em larga escala com programas piloto
  • Integração de dados por plataformas digitais

Esse movimento está inserido na chamada “economia prateada”, voltada à população idosa e com crescente peso na economia chinesa.

Mercado cresce e atrai investimentos

Em 2025, o mercado de robôs humanoides voltados ao cuidado atingiu cerca de 8,2 bilhões de yuans. O crescimento envolve desde grandes fabricantes até startups de tecnologia.

Além do mercado interno, empresas chinesas buscam exportar essas soluções para países que enfrentam desafios semelhantes com o envelhecimento populacional.

Desafios ainda limitam expansão

Apesar do avanço, a adoção em larga escala enfrenta obstáculos importantes:

  • Alto custo dos equipamentos
  • Infraestrutura digital desigual
  • Resistência cultural ao uso de tecnologia no cuidado
  • Necessidade de regulamentação mais clara

Outro ponto relevante é a preferência de parte dos idosos pelo atendimento humano, especialmente em atividades que exigem interação direta.

Regulação entra no debate

O crescimento do setor também levanta preocupações sobre privacidade e segurança. Autoridades discutem normas para o uso de dados sensíveis, como informações de saúde e rotina.

Entre os principais pontos em análise estão:

  • Proteção de dados pessoais
  • Segurança no ambiente doméstico
  • Responsabilidade em caso de falhas

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