Uma cachalote-anão (Kogia sima) morreu após encalhar na tarde de terça-feira (24), em Morro dos Conventos, em Araranguá, no Sul de Santa Catarina. Apesar das tentativas de resgate e devolução ao mar, o animal voltou a encalhar e não resistiu, vindo a óbito durante a noite.
O atendimento foi realizado pela equipe técnica da Educamar, por meio do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP), com apoio de profissionais da Unesc, Udesc/Laguna e Ceclimar/UFRGS. O cetáceo chegou a ser reintroduzido ao mar, mas apresentava desorientação e retornou à faixa de areia pouco tempo depois.
Na manhã desta quarta-feira (25), foi realizada a necropsia. De acordo com a médica-veterinária Joana Zomer, o animal era um macho de 2,4 metros e apresentava condição corporal considerada razoável, mas com sinais de afogamento. Exames complementares ainda devem apontar as possíveis causas do encalhe e da morte.
A bióloga Suelen Santos, coordenadora do PMP-BP na Educamar, destaca que o encalhe de espécies oceânicas, como as do gênero Kogia, pode indicar comprometimento na saúde dos animais.
Segundo ela, mesmo sem o desfecho esperado, a atuação conjunta das equipes contribui para o avanço técnico no atendimento a esse tipo de ocorrência.
Segunda ocorrência em duas semanas
Este é o segundo caso recente envolvendo cetáceos do gênero Kogia no Sul catarinense. No dia 8 de março, uma cachalote-pigmeu (Kogia breviceps) encalhou em Passo de Torres e também morreu.
Na ocasião, o animal apresentava quadro grave, com desnutrição, lesões na pele, presença de parasitas e sinais de inflamação, o que indicava comprometimento avançado de saúde.
Espécies raras no litoral
As cachalotes-anãs e pigmeias são cetáceos de hábitos oceânicos, que vivem em águas profundas e raramente aparecem próximas à costa.
Entre as principais características das espécies:
- Ambas pertencem ao grupo dos odontocetos, como os golfinhos
- A cachalote-anão pode atingir até 2,7 metros e cerca de 250 quilos
- Já a cachalote-pigmeu pode chegar a 4 metros e 400 quilos
- A alimentação inclui lulas, pequenos peixes e crustáceos
- Como defesa, podem liberar uma substância escura para confundir predadores
Especialistas apontam que o aparecimento desses animais em áreas costeiras costuma estar associado a problemas de saúde, desorientação ou alterações ambientais.
O que fazer ao encontrar animal encalhado
A orientação é não tentar devolver o animal ao mar por conta própria. Em casos de encalhe entre a Barra do Rio Araranguá e a Barra do Rio Mampituba, a população deve acionar a Educamar pelo telefone 0800 641 5665.
O PMP-BP, responsável pelo atendimento, é uma exigência do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama, relacionado às atividades da empresa TGS na Bacia de Pelotas.
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