Cachalote-anão morre após encalhe em praia de SC

Animal chegou a ser devolvido ao mar, mas voltou a encalhar e não resistiu; caso mobilizou equipes técnicas e levanta alerta sobre saúde de cetáceos

Redação

Publicado em: 25 de março de 2026

5 min.

Cachalote-anão morre após encalhe em praia de SC Foto: divulgação

Uma cachalote-anão (Kogia sima) morreu após encalhar na tarde de terça-feira (24), em Morro dos Conventos, em Araranguá, no Sul de Santa Catarina. Apesar das tentativas de resgate e devolução ao mar, o animal voltou a encalhar e não resistiu, vindo a óbito durante a noite.

O atendimento foi realizado pela equipe técnica da Educamar, por meio do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP), com apoio de profissionais da Unesc, Udesc/Laguna e Ceclimar/UFRGS. O cetáceo chegou a ser reintroduzido ao mar, mas apresentava desorientação e retornou à faixa de areia pouco tempo depois.

Na manhã desta quarta-feira (25), foi realizada a necropsia. De acordo com a médica-veterinária Joana Zomer, o animal era um macho de 2,4 metros e apresentava condição corporal considerada razoável, mas com sinais de afogamento. Exames complementares ainda devem apontar as possíveis causas do encalhe e da morte.

A bióloga Suelen Santos, coordenadora do PMP-BP na Educamar, destaca que o encalhe de espécies oceânicas, como as do gênero Kogia, pode indicar comprometimento na saúde dos animais.

Segundo ela, mesmo sem o desfecho esperado, a atuação conjunta das equipes contribui para o avanço técnico no atendimento a esse tipo de ocorrência.

Segunda ocorrência em duas semanas

Este é o segundo caso recente envolvendo cetáceos do gênero Kogia no Sul catarinense. No dia 8 de março, uma cachalote-pigmeu (Kogia breviceps) encalhou em Passo de Torres e também morreu.

Na ocasião, o animal apresentava quadro grave, com desnutrição, lesões na pele, presença de parasitas e sinais de inflamação, o que indicava comprometimento avançado de saúde.

Espécies raras no litoral

As cachalotes-anãs e pigmeias são cetáceos de hábitos oceânicos, que vivem em águas profundas e raramente aparecem próximas à costa.

Entre as principais características das espécies:

  • Ambas pertencem ao grupo dos odontocetos, como os golfinhos
  • A cachalote-anão pode atingir até 2,7 metros e cerca de 250 quilos
  • Já a cachalote-pigmeu pode chegar a 4 metros e 400 quilos
  • A alimentação inclui lulas, pequenos peixes e crustáceos
  • Como defesa, podem liberar uma substância escura para confundir predadores

Especialistas apontam que o aparecimento desses animais em áreas costeiras costuma estar associado a problemas de saúde, desorientação ou alterações ambientais.

O que fazer ao encontrar animal encalhado

A orientação é não tentar devolver o animal ao mar por conta própria. Em casos de encalhe entre a Barra do Rio Araranguá e a Barra do Rio Mampituba, a população deve acionar a Educamar pelo telefone 0800 641 5665.

O PMP-BP, responsável pelo atendimento, é uma exigência do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama, relacionado às atividades da empresa TGS na Bacia de Pelotas.


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