O meteorologista e agrônomo Ronaldo Coutinho alertou para a possibilidade de novas cheias em Santa Catarina ao longo de 2026, especialmente em regiões como o Vale do Rio Tubarão. A declaração foi feita em entrevista ao programa Notícias da Cidade, da Rádio Cidade Tubarão 103.7 FM, nesta quarta-feira (24).
Segundo o especialista, embora não haja garantia de um evento extremo como o registrado em 1974, as condições climáticas indicam um cenário propício para ocorrências de enchentes no estado ao longo do ano.
“Não é que vai ocorrer, mas nós temos as condições favoráveis para que tenhamos uma ou mais cheias em Santa Catarina”, afirmou.
Período de maior risco começa em maio
De acordo com Coutinho, o período crítico deve iniciar em maio e se estender até o final do ano, com maior atenção entre os meses de agosto, setembro e outubro.
O meteorologista destacou que o Rio Tubarão, por sua extensão e características geográficas, está entre as áreas mais suscetíveis a episódios de cheia.
Influência do El Niño aumenta risco
Um dos principais fatores apontados para o aumento do risco é a formação do fenômeno El Niño, que começa a se configurar neste trimestre e deve se intensificar a partir do inverno.
“Nós vamos ter o El Niño começando agora neste trimestre. Ele se define a partir de maio e junho e se acopla à atmosfera no inverno”, explicou.
Segundo ele, esse fenômeno favorece a ocorrência de chuvas frequentes e prolongadas na região Sul do Brasil.
Diferença entre El Niño e La Niña
O especialista também explicou como diferentes fenômenos climáticos influenciam as enchentes em Santa Catarina:
- El Niño: provoca chuvas mais frequentes e prolongadas, aumentando o risco de enchentes duradouras e recorrentes
- La Niña: pode gerar eventos intensos, porém de curta duração
- Neutralidade: também pode apresentar episódios de cheia, com menor previsibilidade
Coutinho relembrou eventos históricos associados ao El Niño, como as enchentes de 1974, 2015 e 2023.
Fatores adicionais agravam cenário
Além do El Niño, outros elementos climáticos podem intensificar os episódios de chuva extrema. Entre eles, o aquecimento das águas do Oceano Atlântico, especialmente na região Nordeste.
Segundo o meteorologista, esse aquecimento aumenta a evaporação, que é transportada para o continente e pode retornar em forma de chuvas intensas após interação com a Cordilheira dos Andes.
Histórico reforça preocupação
O especialista citou ainda a catástrofe recente no Rio Grande do Sul como exemplo de evento agravado por condições semelhantes, incluindo a atuação do El Niño e fatores oceânicos.
Ele também mencionou o Furacão Catarina, ocorrido em 2004, ao comentar sobre a dificuldade histórica na comunicação de eventos extremos à população.
Atenção e monitoramento são essenciais
Apesar do alerta, Coutinho reforçou que a ocorrência de enchentes depende de uma combinação de fatores e que o monitoramento constante é fundamental para minimizar impactos.
A orientação é que autoridades e população fiquem atentos aos boletins meteorológicos, especialmente durante o segundo semestre, quando o risco tende a ser maior.
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