Cão mais antigo do mundo tem 15.800 anos e intriga cientistas

Estudo revela que cães já viviam com humanos há quase 16 mil anos, antes mesmo da agricultura surgir

Redação

Publicado em: 26 de março de 2026

6 min.
Cão mais antigo do mundo choca cientistas e muda história. - Imagem gerada por IA

Cão mais antigo do mundo choca cientistas e muda história. - Imagem gerada por IA

Uma nova pesquisa genética revelou que o cão mais antigo já identificado viveu há cerca de 15.800 anos, muito antes do surgimento da agricultura. O animal foi encontrado no sítio arqueológico de Pinarbasi, na Turquia, e reforça a ideia de que os cães já eram parte essencial da vida humana em sociedades de caçadores-coletores.

Os estudos foram publicados nesta semana na revista científica Nature e indicam que os cães estavam amplamente distribuídos pela Eurásia milhares de anos antes das primeiras plantações.

Descoberta muda o que se sabia sobre a origem dos cães

O cão encontrado em Pinarbasi é cerca de 5 mil anos mais antigo do que o registro anterior confirmado por DNA. A descoberta sugere que a domesticação dos cães ocorreu muito antes do que se imaginava.

Segundo os pesquisadores, há evidências de que cães já estavam presentes em diferentes regiões da Eurásia Ocidental há pelo menos 18 mil anos. Isso indica que a separação genética entre cães e lobos pode ter ocorrido ainda antes, possivelmente há mais de 24 mil anos, durante a última Era do Gelo.

Relação entre humanos e cães já era próxima

Os estudos também mostram que os cães não apenas conviviam com humanos, mas tinham papel importante nas comunidades antigas.

Entre os principais indícios estão:

  • Enterros conjuntos de humanos e cães, indicando laços sociais
  • Alimentação fornecida pelos humanos, incluindo peixes
  • Possível uso em caça e como sistema de alerta contra ameaças

De acordo com os cientistas, essa relação próxima reforça que os cães já eram valorizados muito antes das sociedades agrícolas.

Pesquisa analisou centenas de fósseis

Os pesquisadores analisaram 216 restos mortais de animais, com idades entre 46 mil e 2 mil anos, encontrados em diversos países da Europa e na Turquia.

Com um novo método genético, foi possível identificar:

  • 46 cães antigos
  • 95 lobos
  • Diferenças genéticas claras entre as espécies

Um dos cães mais antigos da Europa, com 14.200 anos, foi encontrado na Suíça, reforçando que esses animais já estavam espalhados pelo continente.

Mandíbula do cão da Caverna de Gough (14.300 anos) em vista lateral. Pode-se observar perfuração antrópica da fossa massetérica • The Trustees of the Natural History Museum, Londres

Mistério sobre origem dos cães continua

Apesar das descobertas, ainda não há uma resposta definitiva sobre onde e por que os cães foram domesticados.

Os cientistas acreditam que o processo provavelmente começou na Ásia, mas o local exato segue desconhecido.

Outro ponto curioso é que, diferente de outros animais domesticados, os cães podem não ter tido uma função específica desde o início. A principal relação pode ter sido simplesmente a companhia humana.

Cães da pré-história eram diferentes dos atuais

Os primeiros cães eram bem diferentes das raças modernas. Segundo os pesquisadores:

  • Tinham aparência mais próxima dos lobos
  • Ainda não apresentavam as características variadas das raças atuais
  • Eram ancestrais de cães modernos da Europa e do Oriente Médio

Raças conhecidas hoje, como boxers e salukis, podem ter ligação direta com esses antigos cães.

O que a descoberta revela sobre a história humana

A presença de cães ao lado dos humanos durante grandes transformações sociais mostra que essa relação é uma das mais antigas da história.

Mesmo sem respostas completas, o estudo reforça que os cães acompanharam a evolução humana desde os tempos mais remotos — e continuam sendo companheiros até hoje.


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