Maior projeto de biodiversidade marinha do Sul inicia na Bacia de Pelotas

Iniciativa reúne cientistas, prevê quatro expedições até 2027 e vai mapear espécies e ecossistemas do Atlântico Sul

Redação

Publicado em: 30 de março de 2026

5 min.

Maior projeto de biodiversidade marinha do Sul inicia na Bacia de Pelotas Foto: divulgação

Teve início na sexta-feira (27) o Projeto Biodiversidade Pelágica na Plataforma e Talude Continental da Bacia de Pelotas, considerado o maior já realizado na região Sul do Brasil voltado à vida marinha. A iniciativa reúne pesquisadores de diferentes instituições e pretende gerar dados inéditos sobre o ecossistema oceânico em uma área estratégica do Atlântico Sul.

Coordenado pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), o projeto prevê a realização de quatro expedições científicas entre 2026 e 2027, durante os períodos de outono e primavera. As atividades serão conduzidas a bordo de navios de pesquisa da universidade.

Durante as expedições, equipes multidisciplinares vão coletar dados oceanográficos e biológicos em diversos pontos do oceano. Também estão previstas observações de espécies como baleias, golfinhos, tartarugas marinhas e aves, além do uso de tecnologias avançadas, como monitoramento acústico para detecção de cetáceos e análises de plâncton, peixes e outros organismos que compõem a cadeia alimentar marinha.

Segundo o oceanólogo e professor da FURG, Eduardo Resende Secchi, o conhecimento gerado será essencial para compreender o funcionamento dos ecossistemas oceânicos. “O oceano abriga uma enorme diversidade de espécies que desempenham papel fundamental no equilíbrio ambiental. Esse conhecimento permite identificar áreas prioritárias e orientar ações de conservação”, afirma.

Parcerias e investimento

O projeto reúne o laboratório Ecomega, do Instituto de Oceanografia da FURG, além das organizações não governamentais Aqualie e Kaosa. A iniciativa conta com financiamento da empresa norueguesa TGS, que realiza pesquisas geológicas na Bacia de Pelotas.

A ação faz parte das condicionantes do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), relacionado às atividades da empresa na região.

Para o country manager da TGS no Brasil, João Correa, o projeto representa um legado científico. “Os dados coletados serão sistematizados e disponibilizados à comunidade científica, contribuindo para o planejamento espacial marinho e para políticas públicas de conservação”, destaca.

Impactos esperados

Entre os principais objetivos da iniciativa estão:

  • Identificar áreas de maior relevância ecológica no Atlântico Sul
  • Ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade marinha
  • Apoiar políticas públicas de conservação e uso sustentável do oceano
  • Fortalecer o planejamento espacial marinho no Brasil

Os resultados devem aprofundar o entendimento sobre a dinâmica dos ecossistemas oceânicos e contribuir para estratégias de preservação ambiental em uma das regiões mais importantes do país em termos de biodiversidade marinha.


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