Alta do diesel pressiona frete e preocupa transportadores em SC

Setor descarta greve no momento, mas alerta para impacto nos custos e cobra investimentos urgentes em rodovias estaduais e federais

Redação

Publicado em: 31 de março de 2026

6 min.

Alta do diesel pressiona frete e preocupa transportadores em SC foto: divulgação

A alta expressiva no preço do óleo diesel e os impactos diretos nos custos do transporte de cargas voltaram a acender o alerta no setor logístico de Santa Catarina. O tema foi destaque em entrevista concedida na manhã desta terça-feira (31) pelo presidente da Federação dos Transportadores, Dagnor Schneider, à Rádio Cidade em Dia, do Grupo SCTODODIA.

Durante a conversa, Schneider detalhou que o aumento no combustível, impulsionado pelo cenário internacional, elevou significativamente os custos operacionais — em alguns casos, o diesel já representa até 50% das despesas do transporte.

Apesar do cenário de pressão, o presidente afirmou que, neste momento, está descartada a possibilidade de paralisação dos caminhoneiros autônomos.

Diesel mais caro e impacto imediato no frete

Segundo Schneider, o aumento recente — que chegou a cerca de R$ 2 por litro — exige uma readequação urgente nas tabelas de frete para garantir a sustentabilidade da atividade.

“O custo precisa ser incorporado imediatamente. Caso contrário, compromete toda a operação logística”, afirmou.

O dirigente destacou ainda que o equilíbrio depende de um esforço conjunto entre governo, transportadores e embarcadores, que precisam aceitar os reajustes nos contratos.

Greve perde força após medidas do governo

Outro ponto abordado foi a mobilização nacional dos transportadores autônomos, motivada principalmente pelo cumprimento da tabela mínima de frete.

De acordo com Schneider, as ações recentes do Governo Federal e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com regras mais rígidas de fiscalização, ajudaram a reduzir a tensão no setor.

“Aparentemente, as medidas atenderam às expectativas da categoria. Hoje, a possibilidade de greve está descartada”, avaliou.

Infraestrutura segue como gargalo em Santa Catarina

Além do custo do diesel, a precariedade da infraestrutura rodoviária foi apontada como um dos principais entraves à competitividade do estado.

Dados citados pelo presidente indicam que:

  • Cerca de 68% das rodovias federais em Santa Catarina estão em condições regulares, ruins ou péssimas;
  • O estado possui uma das menores malhas pavimentadas do país;
  • O número de mortes em rodovias federais é o dobro da média nacional por quilômetro.

“O impacto não é só econômico, mas também humano. É um cenário que preocupa muito”, destacou.

Cobrança por investimentos e avanço da Via Mar

Durante reunião recente com o governador Jorginho Mello, o setor reforçou a necessidade de ampliação dos investimentos, especialmente em obras estruturantes.

Entre os projetos citados está a Via Mar, alternativa à BR-101 Norte, considerada um dos principais gargalos logísticos do estado. A previsão é de lançamento do edital ainda neste ano, com investimento inicial estimado em R$ 2 bilhões.

Schneider também alertou para a limitação orçamentária federal: enquanto a necessidade do DNIT é de cerca de R$ 1,1 bilhão, o orçamento atual gira em torno de R$ 500 milhões.

Evento em Criciúma debate o futuro da logística

O presidente confirmou presença no evento “Futuro em Rota”, que ocorre nesta terça-feira em Criciúma. O encontro reúne empresários e lideranças do setor para discutir os desafios e caminhos da logística no Sul de Santa Catarina.

A programação conta também com a participação do presidente da Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas (NTC), Eduardo Rebuzzi.


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