Nova regra da pressão pode mudar uso de remédios após 65 anos

Diretriz atual deixa de considerar apenas idade e pressão e passa a avaliar risco cardiovascular individual

Redação

Publicado em: 1 de abril de 2026

5 min.
Nova regra da pressão pode mudar uso de remédios após 65 anos. - Imagem gerada por IA

Nova regra da pressão pode mudar uso de remédios após 65 anos. - Imagem gerada por IA

Uma atualização nas diretrizes da American Heart Association (AHA), pode alterar significativamente o tratamento da pressão arterial em pessoas com mais de 65 anos. A principal mudança é o abandono da recomendação generalizada de uso de medicamentos para quem apresenta pressão acima de 130 mmHg, substituindo-a por uma avaliação individual do risco cardiovascular.

A revisão indica que cerca de 10% dos idosos que antes recebiam indicação automática para tratamento medicamentoso podem não precisar mais do uso imediato de remédios.

O que muda na prática

A nova abordagem considera o risco de desenvolver doenças cardiovasculares em um período de 10 anos, em vez de avaliar apenas idade e níveis de pressão arterial.

Na prática, isso significa:

  • A medicação não será mais indicada automaticamente
  • O histórico de saúde do paciente passa a ser determinante
  • Doenças como diabetes e problemas renais ganham peso na decisão
  • O tratamento se torna mais personalizado

Segundo especialistas, a mudança busca equilibrar benefícios e riscos, evitando o uso desnecessário de medicamentos.

Menos remédios, menos efeitos colaterais

A revisão é considerada positiva por parte da comunidade médica, principalmente por reduzir a exposição de idosos a efeitos colaterais.

Entre os principais riscos do uso excessivo de medicamentos estão:

  • Tontura
  • Fadiga
  • Problemas renais
  • Quedas e fraturas

A redução excessiva da pressão pode ser perigosa em pacientes mais frágeis, especialmente aqueles com doença renal crônica.

Foco em quem realmente precisa

A nova estratégia concentra o tratamento intensivo em pacientes com maior risco cardiovascular, como:

  • Pessoas com diabetes
  • Pacientes com doença renal
  • Indivíduos com múltiplos fatores de risco

A ideia é evitar a chamada polifarmácia — o uso excessivo de medicamentos — em pacientes com menor risco.

Especialistas alertam para desafios

Apesar dos avanços, a mudança também levanta preocupações. O professor Peter Kowey, da Universidade Thomas Jefferson, alerta que a nova diretriz pode levar à redução do tratamento em pessoas que realmente precisam.

Ele destaca que o modelo exige mais tempo e experiência dos médicos para avaliar corretamente cada caso. Em consultas rápidas, há risco de decisões inadequadas.

“O desafio não é tirar remédios, mas identificar quem precisa deles e garantir um tratamento eficaz”, afirma.

O que o paciente deve fazer

Diante das novas diretrizes, especialistas recomendam:

  • Não interromper medicamentos por conta própria
  • Consultar um médico para avaliação individual
  • Manter acompanhamento regular da pressão
  • Adotar hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada e atividade física

A mudança reforça uma tendência crescente na medicina: tratamentos cada vez mais personalizados, baseados no perfil de cada paciente.


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