O comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar (9º BPM), tenente-coronel Mário Luiz Silva, participou nesta quinta-feira (2) de uma entrevista à Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA, conduzida pelo jornalista Denis Luciano. Durante a conversa, ele analisou a situação do bairro Pinheirinho, em Criciúma, marcada por protestos recentes da população e pelo aumento de crimes contra o patrimônio.
Segundo o comandante, as manifestações populares são legítimas e importantes para provocar mudanças, mas o problema enfrentado na região exige uma abordagem mais profunda e integrada entre diferentes áreas do poder público.
Entenda o cenário do bairro Pinheirinho
De acordo com o comandante, a principal característica da criminalidade no bairro é o alto número de furtos, especialmente de fiação elétrica, que impactam diretamente moradores e comerciantes.
Ele explicou que os crimes são, em grande parte, praticados por pessoas em situação de rua com dependência química, que encontram na região um ambiente propício devido à estrutura urbana e à presença do tráfico de drogas.
Entre os fatores apontados estão:
- Ocupação urbana desordenada ao longo dos anos
- Facilidade de acesso a drogas
- Ciclo de furtos para sustentar o vício
- Concentração de pessoas em situação de vulnerabilidade
Soluções passam por repressão e tratamento
O comandante destacou que existem dois caminhos principais para enfrentar o problema:
- Ação penal: prisão dos autores dos crimes
- Ação social e de saúde: tratamento da dependência química e reinserção social
Apesar das prisões serem frequentes, ele reconheceu limitações na legislação penal, considerada branda, o que dificulta a efetividade das medidas repressivas.
Por outro lado, iniciativas como internações e programas de recuperação são vistas como alternativas mais eficazes a longo prazo.
Polícia Militar intensifica operações
Mário Luiz Silva afirmou que a atuação da Polícia Militar no bairro nunca foi tão intensa. Entre as ações destacadas estão:
- Operações contínuas e planejadas
- Aumento do efetivo em horários estratégicos
- Monitoramento por “manchas de calor” das ocorrências
- Prisões diárias de suspeitos
Ele citou, inclusive, que durante o próprio protesto no bairro, um suspeito foi preso em flagrante furtando fiação a poucos metros da manifestação.
Base fixa não é considerada solução
Sobre a possibilidade de instalação de uma base policial no bairro, o comandante foi direto ao afirmar que a medida não seria eficiente.
Segundo ele, uma base fixa limitaria a atuação da polícia a um ponto específico, enquanto o policiamento móvel permite cobertura mais ampla e dinâmica.
Prefeitura e Estado também têm papel decisivo
O comandante reconheceu o esforço do poder público municipal, que tem ampliado ações como internações e programas sociais, como o “Criciúma Recomeça”.
No entanto, reforçou que a solução depende da atuação conjunta de diferentes esferas, incluindo saúde, assistência social e políticas públicas estruturais.
Falta de efetivo é desafio
Outro ponto abordado foi a limitação no número de policiais. O comandante confirmou que há déficit de efetivo, mas destacou que o Estado já trabalha em medidas para ampliar o quadro, incluindo:
- Novos concursos públicos
- Implantação de policiais temporários
- Reforço gradual do efetivo em cidades como Criciúma
Mudança no perfil da criminalidade
Por fim, o comandante lembrou que o cenário atual é diferente de anos anteriores. Em 2015, Criciúma registrava altos índices de homicídios, enquanto hoje o foco da segurança pública está nos crimes de menor potencial ofensivo, como furtos.
Essa mudança, segundo ele, é resultado de estratégias anteriores que reduziram significativamente a violência letal na cidade.
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