Transporte coletivo de Criciúma enfrenta risco de paralisação

Déficit milionário, impasse entre empresa, prefeitura e AGIR e alerta de motoristas ampliam crise no sistema

José Demathé

Publicado em: 7 de abril de 2026

5 min.

Transporte coletivo de Criciúma enfrenta risco de paralisação Foto: Cribus

O sistema de transporte coletivo de Criciúma enfrenta um momento crítico e pode sofrer paralisação nos próximos dias. A informação foi confirmada por representantes da empresa responsável pela operação, que apontam um déficit acumulado de cerca de R$ 20 milhões ao longo dos últimos três anos. A situação foi debatida em reunião com a Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (AGIR), mas terminou sem definição.

Segundo o consultor e assessor técnico da empresa, Ronaldo Gilberto de Oliveira, o prejuízo vem sendo discutido desde o início do desequilíbrio financeiro, sem solução concreta até o momento. “A empresa já buscou medidas administrativas e acionou órgãos do município, mas não houve encaminhamento efetivo”, afirmou.

Déficit compromete operação

De acordo com a empresa, o custo mensal para manter o serviço gira em torno de R$ 4 milhões. Com o déficit acumulado, o sistema estaria operando há cerca de cinco meses sem condições financeiras adequadas.

Ronaldo destacou que a continuidade do serviço depende de um subsídio mensal de aproximadamente R$ 1,5 milhão. Sem esse aporte, há risco direto de interrupção das atividades, incluindo dificuldades para pagamento de combustível e salários.

Reunião termina sem acordo

A reunião realizada com a AGIR, representantes da prefeitura e outras entidades não resultou em soluções práticas. Segundo Ronaldo, o impasse permanece e a empresa avalia medidas jurídicas.

Outro ponto de preocupação é a possibilidade de a frota ser envolvida em disputas judiciais, o que poderia agravar ainda mais a crise no transporte público da cidade.

Conselho pede definição de valores

O presidente do Conselho Municipal de Transportes, Eduardo, classificou a situação como delicada e reforçou a necessidade de consenso entre as partes envolvidas.

“É preciso acertar as contas entre a agência reguladora e a empresa, respeitando também a responsabilidade fiscal do município e o impacto para o usuário”, afirmou.

O conselho solicitou à AGIR a apresentação detalhada da dívida acumulada nos últimos anos, considerada essencial para avançar nas negociações.

Motoristas ameaçam paralisação

Representando os trabalhadores, o presidente do sindicato dos motoristas, conhecido como Buba, fez um alerta direto: qualquer atraso salarial pode resultar na paralisação imediata do transporte.

Segundo ele, há dois anos a categoria cobra transparência sobre os valores da dívida e critica a falta de respostas claras por parte dos envolvidos.

“Se atrasar um dia de salário, os ônibus param. Não queremos que Criciúma passe pelo que aconteceu em outras cidades da região”, afirmou.

Situação segue indefinida

Sem acordo entre empresa, poder público e órgão regulador, o futuro do transporte coletivo em Criciúma permanece incerto. A população, que depende diariamente do serviço, pode ser diretamente impactada caso não haja uma solução nos próximos dias.


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