Com o fim da alta temporada de verão e a retirada dos guarda-vidas das praias de Santa Catarina, o risco de afogamentos não desaparece — ele apenas muda de cenário. O alerta é do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC), que chama a atenção para ambientes como piscinas, rios, lagos e balneários, onde milhares de famílias continuam em contato com a água ao longo do ano.
Nesse contexto, o destaque vai para o Projeto Golfinho, iniciativa voltada à prevenção de acidentes com crianças de 7 a 11 anos. Entre 2023 e os primeiros meses de 2026, o programa formou 7.698 crianças em ambientes não oceânicos, como piscinas e águas interiores, reforçando a cultura de segurança fora do litoral.
Piscinas lideram risco fora do mar
Os dados mostram que o ambiente de piscinas e clubes concentra a maior parte das formações do projeto:
- 6.418 crianças capacitadas em quatro anos
- Pico em 2024, com 2.335 participantes
- Média anual consistente de formações
Segundo o CBMSC, a falsa sensação de segurança nesses locais é um dos principais fatores de risco. Situações simples, como correr na borda ou ignorar perigos como ralos de sucção, podem resultar em acidentes graves.
Rios e lagos também exigem atenção
Embora com menor volume de formações, os ambientes de água doce também preocupam:
- 1.280 crianças formadas entre 2023 e 2026
- 150 formações apenas nos primeiros meses de 2026
O crescimento recente indica maior foco na prevenção em rios e balneários, historicamente associados a acidentes graves no estado.
Crianças mais novas e participação equilibrada
O perfil dos participantes do Projeto Golfinho também revela tendências importantes:
- 51% meninos e 49% meninas
- Redução da idade média: de 9,2 anos (2023) para 8,3 anos (2025)
- Mais de 5,4 mil participações recorrentes no período
Os números indicam que o programa está alcançando crianças cada vez mais cedo e criando vínculo com os participantes, ampliando o impacto educativo.
Prevenção continua após o verão
Para o CBMSC, o fim da temporada de praia não significa redução de riscos, mas sim uma mudança de foco. A corporação reforça que a prevenção deve ser contínua, especialmente em ambientes domésticos e urbanos.
“O perigo não acaba com o fim da temporada de praia. A formação no Projeto Golfinho é um ato fundamental para proteger as famílias catarinenses”, destaca o comandante-geral, coronel Fabiano de Souza.
Janeiro lidera formações
A sazonalidade do projeto acompanha o calendário escolar:
- Janeiro é o mês com maior número de formações
- Em 2025, foram 6.599 crianças capacitadas no período
- Novembro também se destaca como fase de preparação para o verão
Os dados mostram que ações antecipadas, ainda antes das férias, têm papel estratégico na prevenção.
O consolidado de quase 7,7 mil crianças formadas em ambientes fora do mar reforça que o Projeto Golfinho se tornou uma ferramenta permanente de educação e segurança em Santa Catarina. O alerta permanece: o risco de afogamento continua presente durante todo o ano, exigindo atenção redobrada de pais e responsáveis.
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