A segunda fase da Operação Carrasco,que apura crimes de maus-tratos a animais, associação criminosa e estelionato, em Canoas, foi deflagrada nesta segunda-feira (15) pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul. A investigação aponta que uma protetora de animais e dois médicos veterinários teriam participado de um esquema de eutanásias irregulares de cães e gatos, enquanto arrecadavam recursos por meio de campanhas online para tratamentos que, segundo as apurações, nunca foram realizados.
Durante a ação policial, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão. Os agentes recolheram aparelhos celulares, computadores e outros materiais que serão analisados para dar continuidade às investigações.
Nesta ocasião, um cão debilitado, sem duas patas, também foi encontrado e resgatado pelos policiais civis. De acordo com a investigação, o animal era utilizado em publicações nas redes sociais para sensibilizar doadores e arrecadar recursos via Pix.
Investigação começou após denúncias sobre número elevado de eutanásias
A primeira fase da Operação Carrasco foi realizada em setembro de 2025 e teve como foco a Secretaria Especial de Bem-Estar Animal (Sebea) de Canoas.
Na época, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca na sede do órgão municipal, na residência da principal investigada, em um sítio vinculado a uma entidade de proteção animal e na residência de uma veterinária que atuava junto à secretaria.
Após a análise dos materiais apreendidos, os investigadores identificaram um número de eutanásias considerado muito acima do esperado para o perfil dos animais recolhidos, além de índices superiores aos registrados em anos anteriores.
As suspeitas surgiram após denúncias feitas por servidores e usuários dos serviços prestados pelo órgão.
Polícia Civil aponta eutanásias sem esgotar possibilidades de tratamento
Segundo a investigação, a principal suspeita mantinha contato direto com veterinários fora da estrutura da secretaria e determinava a realização de eutanásias mesmo quando havia alternativas de tratamento para os animais.
Em um dos casos analisados, uma veterinária teria sugerido a realização de exames para confirmar um diagnóstico antes de qualquer decisão. Conforme a apuração, a resposta recebida foi uma autorização para prosseguir diretamente com a eutanásia.
A Polícia Civil destaca que o procedimento contrariaria protocolos clínicos recomendados, já que a doença suspeita exigia confirmação laboratorial.
Doações eram solicitadas enquanto animais seriam sacrificados
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a suposta arrecadação de recursos para tratamentos que não chegavam a ser realizados.
De acordo com a Polícia Civil, em um dos episódios investigados, a suspeita divulgou campanhas de arrecadação nas redes sociais para custear o tratamento de um animal, ao mesmo tempo em que autorizava sua eutanásia.
Para os investigadores, essa conduta reforça a suspeita de estelionato e de utilização da causa animal para obtenção de vantagens financeiras indevidas.
Mais de R$ 670 mil arrecadados
A investigação aponta que a suspeita atua na causa animal desde 2020 e teria promovido 549 campanhas de arrecadação.
Conforme os dados apurados pela investigação:
- 549 vaquinhas virtuais foram realizadas;
- 14.545 pessoas contribuíram com as campanhas;
- O instituto ligado à investigada recebeu R$ 672.670,39 em doações.
A Polícia Civil agora busca identificar o destino dos recursos arrecadados e quantos animais podem ter sido vítimas do esquema.
Polícia Civil busca identificar mais vítimas
A investigação segue em andamento e deve aprofundar a análise dos registros de microchips e da documentação dos animais que passaram pela entidade.
Segundo a delegada Luciane Bertoletti, responsável pelo caso, a apuração busca dimensionar quantos animais foram sacrificados dentro do que a polícia classificou como uma estrutura criminosa.
Já o delegado Cristiano Reschke afirmou que o esquema teria explorado a confiança e a solidariedade da população ao utilizar a imagem de animais em situação de sofrimento para arrecadar recursos que, segundo as investigações, não eram destinados aos tratamentos divulgados.
Os suspeitos permanecem à disposição da Justiça, e o caso segue sob investigação da Polícia Civil gaúcha.
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