Saiba quais os benefícios da atividade física no tratamento de pessoas com Alzheimer

Impacto positivo também alcança familiares e cuidadores, que passaram a contar com espaços de troca de experiências e formação de redes de apoio

Redação

Publicado em: 21 de junho de 2026

5 min.
Saiba quais os benefícios da atividade física no tratamento de pessoas com Alzheimer. - Foto: Divulgação

Saiba quais os benefícios da atividade física no tratamento de pessoas com Alzheimer. - Foto: Divulgação

Com o envelhecimento da população brasileira, cresce também o número de pessoas diagnosticadas com Alzheimer e outras formas de demência. Atualmente, cerca de 1,8 milhão de brasileiros com mais de 60 anos convivem com algum tipo de demência, segundo o Relatório Nacional sobre Demência de 2024.

Diante desse cenário, uma pesquisa desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) aponta que a prática regular de atividade física pode ser uma importante aliada no tratamento e na qualidade de vida dessas pessoas.

Exercícios podem auxiliar na prevenção e no tratamento

A pesquisa foi desenvolvida pela doutora em Ciências e pesquisadora da Escola de Educação Física e Esporte da USP, Caroline Giolo de Melo. Segundo ela, pessoas fisicamente ativas apresentam menor risco de desenvolver demências ao longo da vida.

Durante o doutorado, a pesquisadora criou o projeto MoviMente, que utiliza atividades físicas em grupo como complemento ao tratamento médico convencional de pessoas com demência.

A iniciativa busca estimular:

  • A socialização entre os participantes;
  • A redução do isolamento social;
  • A preservação da autonomia;
  • A manutenção das funções cognitivas;
  • A melhora da aptidão física funcional.

De acordo com a pesquisadora, os exercícios ajudam os pacientes a manter, por mais tempo, a capacidade de realizar tarefas do cotidiano de forma independente.

Participantes apresentaram melhora cognitiva

Os resultados observados durante o estudo demonstraram avanços significativos tanto na condição física quanto no desempenho cognitivo dos participantes.

Para avaliar a cognição, os pesquisadores utilizaram o Mini Exame do Estado Mental, um dos principais instrumentos usados no acompanhamento de pacientes com demência.

“Todos os participantes obtiveram uma pontuação maior na avaliação final do que na inicial. Alguns melhoraram mais, outros menos, mas, de forma geral, todos apresentaram evolução. Foi um resultado bastante impressionante”, afirma Caroline Giolo de Melo.

Além da melhora cognitiva, os participantes relataram benefícios em diferentes aspectos da vida diária.

Benefícios observados no estudo

Entre os principais ganhos apontados pelos participantes estão:

  • Melhora na qualidade do sono;
  • Hábitos alimentares mais saudáveis;
  • Maior facilidade para realizar atividades diárias, como subir escadas;
  • Melhoras emocionais;
  • Ampliação do convívio social.

Outro ponto destacado pela pesquisadora é o impacto positivo para familiares e cuidadores, que passaram a contar com espaços de troca de experiências e formação de redes de apoio.

Projeto virou política pública em São Paulo

Após o término da pesquisa, a experiência teve continuidade e foi incorporada como política pública pela Secretaria de Esportes de Valinhos, no interior de São Paulo, onde o estudo foi realizado.

A expectativa dos pesquisadores é que a iniciativa possa inspirar a criação de programas semelhantes em outras cidades brasileiras, ampliando o acesso de pessoas com demência a atividades físicas supervisionadas.

Especialistas reforçam que a prática de exercícios não substitui o acompanhamento médico, mas pode atuar como uma estratégia complementar importante no cuidado e na promoção da qualidade de vida.


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