Santa Catarina voltou a ser destaque na relação entre Brasil e Luxemburgo. O 3º Encontro das Famílias Luxemburguesas, realizado no último sábado (18), em São José, reuniu cerca de 150 participantes e evidenciou o crescimento da comunidade luxemburguesa no Estado, além de reforçar os laços culturais, diplomáticos e econômicos entre os dois países.
Promovido pela Associação de Cidadãos Luxemburgueses no Brasil (ACLUX), o evento reuniu famílias de diversas regiões do país e contou, pela primeira vez, com a participação oficial de representantes da Embaixada de Luxemburgo em Brasília.
“Somos mais de 33 mil luxemburgueses reconhecidos no Brasil, mas sabemos que esse número é ainda maior. Construímos este encontro ouvindo nossos associados e trazendo os temas que mais despertam interesse, como cidadania, educação, negócios e, acima de tudo, a valorização da nossa história“, afirmou a presidente da ACLUX, Luciana Decker.
Novo consulado no Brasil
Durante o encontro, a encarregada de negócios da Embaixada de Luxemburgo, Jill Engel, e o chefe de missão adjunto, Steve Hoscheit, anunciaram que São Paulo receberá um consulado luxemburguês, ampliando o atendimento aos cidadãos residentes no Brasil. Embora a data de inauguração ainda não tenha sido definida, a novidade foi recebida com entusiasmo pelos participantes.
A diplomata também destacou o fortalecimento das relações entre os dois países, lembrando a visita oficial do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ao Luxemburgo, realizada em junho deste ano — a primeira de um chanceler brasileiro ao Grão-Ducado.
Santa Catarina concentra a maior comunidade
Segundo a cônsul honorária de Luxemburgo em Santa Catarina, Karen Schwinden, o Estado abriga a maior comunidade luxemburguesa do Brasil.
“De 2021 para cá, já entreguei mais de 5.600 passaportes“, revelou.
O encontro também contou com representantes do Governo de Santa Catarina, que destacaram o potencial do Luxemburgo como porta de entrada para o mercado europeu. Para o secretário-adjunto de Articulação Internacional, Emerson Pereira, a aproximação abre novas oportunidades para empresas catarinenses interessadas em expandir seus negócios.
Muito além da cidadania
Além dos temas ligados à documentação, a programação abordou direitos civis, educação, oportunidades profissionais e integração cultural. Especialistas esclareceram dúvidas sobre reconhecimento de documentos, sucessão, agrupamento familiar e o sistema educacional luxemburguês.
Entre as histórias que marcaram o encontro esteve a da pequena Helena Hoffmann, de apenas três anos. Descendente de imigrantes luxemburgueses que chegaram a Santa Catarina no século XIX, ela viajará para a Europa nos próximos meses para receber seu primeiro passaporte.
“Eu não tive a oportunidade de morar no exterior, mas, se um dia ela quiser seguir esse caminho, a cidadania vai facilitar essa jornada“, afirmou a mãe, Eloiza Hoffmann.
O evento reforçou o papel da ACLUX na preservação da cultura luxemburguesa e na construção de uma rede de apoio para milhares de brasileiros que buscam manter viva a ligação com o Grão-Ducado.
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