Hepatite pode avançar por até 30 anos sem sintomas e teste gratuito detecta doença em poucos minutos

Prevenção continua sendo a principal forma de combater a doença

Redação

Publicado em: 29 de julho de 2026

7 min.
Hepatite pode avançar por até 30 anos sem sintomas e teste gratuito detecta doença em poucos minutos. - Foto: Divulgação

Hepatite pode avançar por até 30 anos sem sintomas e teste gratuito detecta doença em poucos minutos. - Foto: Divulgação

Paciente pode conviver por até 30 anos com hepatite viral sem apresentar qualquer sintoma. O alerta é reforçado durante a campanha Julho Amarelo, que busca conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 826 mil casos confirmados da doença entre 2000 e 2024.

Os dados mostram que a hepatite C representa 41,5% dos diagnósticos, enquanto a hepatite B responde por 36,6%. Apesar do elevado número de casos, o país também registrou avanços: entre 2014 e 2024, a mortalidade por hepatite B caiu 50%, enquanto os óbitos por hepatite C diminuíram 60%.

Doença pode evoluir sem sinais por décadas

De acordo com o gastroenterologista Alberto Falabella, professor do IDOMED, as hepatites B e C costumam evoluir de forma silenciosa.

“As hepatites crônicas B e C podem levar de 20 a 30 anos sem causar um único sintoma, inflamando o fígado silenciosamente até evoluir para cirrose ou câncer”, explica.

Segundo o especialista, muitas pessoas acreditam que a hepatite sempre provoca pele e olhos amarelados, mas esse é um equívoco. Em boa parte dos casos, quando os sintomas aparecem, a doença já está em estágio avançado.

Os principais sinais incluem:

  • Cansaço intenso e persistente;
  • Urina escura;
  • Fezes claras;
  • Dor na parte superior direita do abdômen;
  • Pele e olhos amarelados (icterícia).

Transmissão vai além do contato sexual e de agulhas

Outro ponto de atenção é que a transmissão das hepatites não ocorre apenas por meio de relações sexuais desprotegidas ou compartilhamento de seringas.

Segundo Falabella, objetos de uso pessoal, como alicates de unha e lâminas de barbear, podem transmitir o vírus quando compartilhados. Procedimentos como tatuagens e micropigmentação realizados sem esterilização adequada também representam risco.

O médico afirma ainda que houve mudança no perfil dos pacientes atendidos. Se antes os casos estavam mais relacionados a transfusões de sangue e ao uso de drogas injetáveis, atualmente há aumento de hepatite A em adultos jovens, principalmente por transmissão fecal-oral em práticas sexuais ou pelo consumo de água e alimentos contaminados.

Além disso, cresce o número de pessoas com esteato-hepatite, doença hepática associada à obesidade e ao diabetes.

Quem deve realizar o teste

O especialista destaca que alguns grupos devem ter atenção especial:

  • Pessoas com mais de 50 anos, que podem ter sido infectadas antes da implantação da triagem rigorosa nos bancos de sangue;
  • Jovens sexualmente ativos, devido ao aumento da transmissão das hepatites A e B por via sexual.

SUS oferece vacinação e teste rápido gratuitamente

A prevenção continua sendo a principal forma de combater a doença. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente vacinação contra as hepatites A e B. A imunização contra a hepatite B também protege, de forma indireta, contra a hepatite D.

Além da vacina, especialistas recomendam:

  • Não compartilhar objetos de higiene pessoal;
  • Exigir materiais esterilizados ou descartáveis em estúdios de tatuagem, salões de beleza e consultórios odontológicos;
  • Utilizar preservativos em todas as relações sexuais;
  • Higienizar corretamente as mãos, os alimentos e a água consumida.

Exame é gratuito e resultado fica pronto em poucos minutos

O diagnóstico pode ser realizado por meio de um teste rápido de sangue disponível gratuitamente na rede pública de saúde. O resultado fica pronto em poucos minutos e, quando necessário, pode ser complementado por exames laboratoriais.

Segundo Falabella, os tratamentos também evoluíram nos últimos anos. A hepatite C tem cura em até 95% dos casos com antivirais orais utilizados entre oito e 12 semanas. Já a hepatite B conta com medicamentos capazes de controlar a replicação do vírus e permitir qualidade de vida aos pacientes.

“As hepatites A e E não possuem tratamento antiviral específico. Já a hepatite C tem altas taxas de cura e a hepatite B pode ser controlada com tratamento adequado”, destaca o médico.

O especialista reforça que o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações graves, como cirrose e câncer de fígado.


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