Bom seria se existissem apenas assuntos positivos para falar sobre a realidade das mulheres. Apesar das conquistas e reconhecimentos que elas vêm construindo ao longo do anos, uma das coisas que mais cresce é a violência doméstica. De acordo com um levantamento do Observatório da Violência contra a Mulher, com base em dados do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, o Estado registou 19.702 medidas protetivas requeridas em 2021. Em janeiro deste ano, as medidas ultrapassam as 1800.
Pensando nisso, a Polícia Militar criou o Rede Catarina, programa direcionado à prevenção da violência doméstica e familiar contra a mulher. A corporação define não como uma patrulha, mas como uma ronda de fiscalização de medidas protetivas. A Cabo Ana Cláudia Francisco, do 5º Batalhão de Polícia Militar de Tubarão, fala sobre os atendimentos no município. "O programa é baseado em dados qualitativos e não quantitativos. Isso porque temos uma cifra oculta nesse tipo de crime. Há casos de violência que acontecem há anos, mas não são denunciados, pois a vítima tem medo e não sabe se terá apoio. Por exemplo, nos atendimentos pela Patrulha Maria da Penha, nós verificamos que muitas mulheres sofrem violência há 10, 20, 30 anos e nunca denunciaram. Somente após saber que seriam acolhidas, tiveram coragem de denunciar. O foco do programa é encorajar a vítima a sair dessa situação, saber que não está sozinha", garante.
Cada guarnição é, preferencialmente, constituída por uma policial feminina. A Cabo Ana Cláudia ainda explica como funciona em Tubarão. "Possuímos uma guarnição denominada Patrulha Maria da Penha, composta por dois policiais, sendo necessariamente um do sexo feminino, que atua respeitando a intimidade da vítima e o sigilo das informações. A guarnição realiza um atendimento continuado à vítima, através de visitas preventivas nas residências semanais, quinzenais ou mensais, depende da gravidade do fato. A guarnição que faz essas visitas é sempre a mesma, a fim de estreitar os laços", acrescenta.
Lançada em 2019, na Cidade Azul, o Rede Catarina completa três anos agora em março. Devido à alta demanda, o programa atende apenas o município de Tubarão. Normalmente, as medidas são recebidas através do Poder Judiciário. Então, a guarnição realiza o contato telefônico com a vítima, a fim de agendar a visita preventiva. Vale lembrar que para a mulher ser acompanhada pelo programa não é necessário ter uma medida protetiva de urgência, visto que há casos em que a vítima precisa de informações e fortalecimentos para sair da situação de violência.
Fonte: Rádio Cidade Tubarão
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