Um projeto desenvolvido na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Curitibanos, utiliza sensores e inteligência artificial para ampliar a precisão na análise de solos e plantas. A pesquisa é coordenada pelo professor Alexandre ten Caten, do Departamento de Agricultura, Biodiversidade e Florestas, e pode reduzir em até 90% a necessidade de análises químicas tradicionais.
O trabalho, chamado From Spectra to Soil Intelligence: Hyperspectral Sensing for AI-Driven Agriculture, é desenvolvido no Laboratório de Sensoriamento, Inovação e Geoprocessamento (Sengis) e reúne três frentes de pesquisa.
Entre elas está o projeto sensmyN, financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates, que busca medir de forma rápida e barata a fixação biológica de nitrogênio nas plantas. Já o SensNexus utiliza sensores para identificar poluição por plásticos e microplásticos em solos, enquanto o i-Vitis aplica inteligência artificial e aprendizado de máquina na produção de uvas.
Tecnologia pode reduzir custos
A pesquisa utiliza sensores hiperespectrais capazes de captar a luz em centenas de bandas. Os dados obtidos podem ser processados por algoritmos e utilizados para orientar, por exemplo, a aplicação de fertilizantes.
Segundo os resultados apresentados pelo projeto, apenas cerca de 10% das amostras precisariam passar pelas análises químicas convencionais para alimentar e aperfeiçoar os modelos. As demais poderiam ser avaliadas por sensores, com potencial para reduzir custos e tornar a adubação mais eficiente.
A tecnologia já alcançou o Nível de Prontidão Tecnológica 6 (TRL 6), etapa em que o modelo funcional foi demonstrado em ambiente relevante.
O professor aponta, porém, que a falta de infraestrutura e investimentos ainda é um dos principais desafios para avançar a pesquisa. Para chegar aos níveis mais próximos de uma tecnologia pronta para o mercado, também são necessárias parcerias com a indústria.
Pesquisa será apresentada em São Paulo
Nos dias 25 e 26 de agosto, Alexandre ten Caten apresentará o projeto no Connections to Sustain Science in Latin America Symposium 2026, em São Paulo.
O evento reunirá pesquisadores das Américas e terá como foco o intercâmbio científico e a criação de novas parcerias em diferentes áreas do conhecimento.
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