Pesquisa da UFSC usa IA para transformar dados da agricultura

Projeto em Curitibanos utiliza sensores hiperespectrais para reduzir análises químicas e tornar o uso de insumos mais eficiente

Redação

Publicado em: 19 de agosto de 2026

4 min.
Pesquisa da UFSC usa IA para transformar dados da agricultura - Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Pesquisa da UFSC usa IA para transformar dados da agricultura - Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Um projeto desenvolvido na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Curitibanos, utiliza sensores e inteligência artificial para ampliar a precisão na análise de solos e plantas. A pesquisa é coordenada pelo professor Alexandre ten Caten, do Departamento de Agricultura, Biodiversidade e Florestas, e pode reduzir em até 90% a necessidade de análises químicas tradicionais.

O trabalho, chamado From Spectra to Soil Intelligence: Hyperspectral Sensing for AI-Driven Agriculture, é desenvolvido no Laboratório de Sensoriamento, Inovação e Geoprocessamento (Sengis) e reúne três frentes de pesquisa.

Entre elas está o projeto sensmyN, financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates, que busca medir de forma rápida e barata a fixação biológica de nitrogênio nas plantas. Já o SensNexus utiliza sensores para identificar poluição por plásticos e microplásticos em solos, enquanto o i-Vitis aplica inteligência artificial e aprendizado de máquina na produção de uvas.

Tecnologia pode reduzir custos

A pesquisa utiliza sensores hiperespectrais capazes de captar a luz em centenas de bandas. Os dados obtidos podem ser processados por algoritmos e utilizados para orientar, por exemplo, a aplicação de fertilizantes.

Segundo os resultados apresentados pelo projeto, apenas cerca de 10% das amostras precisariam passar pelas análises químicas convencionais para alimentar e aperfeiçoar os modelos. As demais poderiam ser avaliadas por sensores, com potencial para reduzir custos e tornar a adubação mais eficiente.

A tecnologia já alcançou o Nível de Prontidão Tecnológica 6 (TRL 6), etapa em que o modelo funcional foi demonstrado em ambiente relevante.

O professor aponta, porém, que a falta de infraestrutura e investimentos ainda é um dos principais desafios para avançar a pesquisa. Para chegar aos níveis mais próximos de uma tecnologia pronta para o mercado, também são necessárias parcerias com a indústria.

Pesquisa será apresentada em São Paulo

Nos dias 25 e 26 de agosto, Alexandre ten Caten apresentará o projeto no Connections to Sustain Science in Latin America Symposium 2026, em São Paulo.

O evento reunirá pesquisadores das Américas e terá como foco o intercâmbio científico e a criação de novas parcerias em diferentes áreas do conhecimento.

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