FMI alerta sobre desafios econômicos globais após a pandemia de Covid-19 e invasão na Ucrânia

Fundação aponta quedas no crescimento econômico, preocupações com a inflação e necessidade de garantir a estabilidade financeira em nível mundial

Imagem ilustrativa criada com Inteligência Artificial.
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou esta semana uma atualização de sua análise econômica no relatório "World Economic Outlook", alertando sobre os desafios enfrentados pela economia global após a pandemia de Covid-19 e os impactos da invasão russa na Ucrânia.

Embora muitos países estejam em processo de recuperação gradual da crise de saúde provocada pela Covid-19, a instituição enfatizou que ainda há incertezas que obscurecem o horizonte econômico e, portanto, é cedo para comemorar plenamente os progressos realizados.

Dentre os principais desafios apontados pelo FMI, três aspectos foram destacados:

  1. Queda no crescimento econômico: Segundo o relatório, é previsto que a economia global cresça menos em 2023 e 2024 em comparação com 2022, passando de 3,5% no ano passado para 3% em ambos os anos seguintes. O FMI alerta que "sinais de desaceleração" estão surgindo, em parte devido ao aperto das políticas monetárias como medida de combate à inflação. Apesar de uma revisão positiva da previsão de crescimento para este ano em relação a abril, o relatório enfatizou que a economia ainda se encontra em uma posição "frágil" em relação à média do século, que foi de 3,8%. O desempenho econômico das economias desenvolvidas é apontado como um dos principais fatores que contribuem para essa desaceleração, com crescimento estimado de 1,5% em 2023 após registrar 2,7% em 2022. Em contrapartida, os países emergentes, especialmente China e Índia, apresentarão um crescimento acelerado, chegando a 4,1% em 2023.

  2. O problema da inflação: Reduzir ainda mais a inflação é um segundo desafio mundial apontado pelo FMI. Embora os preços ao consumidor tenham diminuído em relação ao pico registrado no ano passado, com média mundial de 8,7%, a previsão para este ano é de 6,8%. No entanto, o núcleo da inflação (que exclui itens voláteis como alimentos e energia) continuará a diminuir de forma gradual. Nas economias avançadas, o núcleo da inflação deve permanecer em uma taxa média anual de 5,1% em 2023, antes de cair para 3,1% em 2024. O FMI alertou que a batalha contra a inflação ainda não está completamente vencida e que uma revisão para cima das previsões de inflação para 2024 poderia ser necessária.

  3. Garantir a estabilidade financeira: O terceiro desafio lançado aos países pela instituição internacional é garantir a estabilidade financeira após a superação bem-sucedida das turbulências em algumas instituições bancárias nos Estados Unidos e na Suíça no início deste ano. O FMI ressaltou a importância dos bancos centrais em restaurar a estabilidade de preços e fortalecer a supervisão financeira e o controle de riscos. Além disso, a recomendação é construir buffers fiscais com ajustes específicos que garantam suporte aos mais vulneráveis, buscando equilíbrio na recuperação econômica.

O economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, destacou ainda que o crescimento dos salários é um indicador relevante para a população, apontando que, se os mercados de trabalho permanecerem fortes, espera-se aumentos reais nos salários, contribuindo para uma recuperação econômica mais sustentável.

O alerta do FMI mostra que os países enfrentam desafios complexos no cenário econômico pós-pandemia, exigindo ações coordenadas para impulsionar o crescimento, combater a inflação e garantir a estabilidade financeira em nível global. A análise da instituição é fundamental para orientar políticas econômicas e promover o desenvolvimento sustentável em todo o mundo.

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