Ativos sem valor do extinto Besc teriam sido usados em fraude bilionária do Banco Master

A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo e envolve ativos que já não têm liquidez nem critérios atuais de precificação no mercado financeiro.

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Certificados sem valor econômico do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) teriam sido usados para inflar artificialmente fundos de investimento e dar lastro a operações fraudulentas atribuídas ao Banco Master. A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo e envolve ativos que já não têm liquidez nem critérios atuais de precificação no mercado financeiro.

O Besc foi incorporado pelo Banco do Brasil em 2008. Apesar de terem tido função jurídica no passado, os certificados citados nas investigações não circulam mais no sistema financeiro e são considerados, na prática, “ativos vazios”.

Como funcionava o esquema

De acordo com a apuração da Folha, esses certificados faziam parte de fundos de investimento administrados pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. Gestores teriam adquirido os papéis por valores muito acima do real e os registrado como se valessem milhões de reais.

Na prática, segundo investigadores, o mecanismo servia para inflar artificialmente o patrimônio dos fundos, permitindo a transferência de recursos entre diferentes carteiras administradas pela própria gestora.

Um investigador ouvido sob anonimato classificou a operação como uma fraude “grosseira”, semelhante a uma ciranda financeira. Segundo ele, os mesmos ativos circulavam entre diferentes fundos no mesmo dia, apesar de “não valerem nada” e não possuírem base técnica para precificação.

Suspeita de desvio e lavagem de dinheiro

Parte dos recursos movimentados pode ter sido desviada para intermediários ligados ao controlador do Banco Master, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Conforme denúncia apresentada pelo Banco Central, cerca de R$ 11,5 bilhões teriam sido movimentados e lavados por meio desses fundos.

Após identificar indícios de irregularidades, o Banco Central comunicou o Ministério Público Federal (MPF) e solicitou o bloqueio dos recursos envolvidos nas operações.

As apurações se concentram em transações realizadas entre julho de 2023 e julho de 2024, período anterior à venda das carteiras de crédito problemáticas do Banco Master. Uma investigação anterior resultou na prisão de Vorcaro, em novembro do ano passado.

Reações e desdobramentos políticos

Procurada pela Folha de S.Paulo, a Reag afirmou que a gestora foi vendida em outubro para a Arandu Investimentos e que eventuais questionamentos devem ser direcionados ao novo controlador, mesmo quando relacionados a operações realizadas em 2023 e 2024. A Arandu não respondeu aos questionamentos. O Banco Master também não se manifestou.

Na segunda-feira (5), a oposição no Congresso Nacional conseguiu as assinaturas necessárias para a abertura de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Banco Master. A comissão pretende apurar, entre outros pontos, a atuação do Banco Central na liquidação extrajudicial da instituição financeira.

As investigações ainda indicam que o esquema pode ter começado com operações de crédito do Banco Master, que alcançavam valores de até R$ 500 milhões, destinadas a empresas supostamente vinculadas ao mecanismo de desvio de recursos.


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