Operação Mensageiro: condenados podem pegar penas maiores em Santa Catarina

Ministério Público recorre após Justiça condenar sete réus por corrupção em Presidente Getúlio

Imagem ilustrativa criada com Inteligência Artificial.
Sugerir conteúdo pelo WhatsApp

A Justiça condenou sete pessoas por crimes investigados na Operação Mensageiro em Presidente Getúlio, no Vale do Itajaí. No entanto, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) recorreu da decisão para tentar aumentar as penas aplicadas aos réus, apontando falhas no cálculo das condenações.

Os condenados incluem um ex-agente público e seis integrantes ligados à empresa investigada. Segundo o MPSC, a sentença não considerou corretamente agravantes e tratou crimes distintos como se fossem um único ato, o que teria reduzido o tempo total de prisão.

Entenda o que motivou o recurso do MPSC

De acordo com o Ministério Público, a decisão de primeira instância deixou de avaliar pontos relevantes que poderiam elevar as penas. Entre eles:

  • Uso de cargos públicos e influência profissional para cometer os crimes
  • Estrutura empresarial organizada para viabilizar o esquema
  • Objetivo de controlar contratos públicos e eliminar concorrência
  • Atuação contínua no pagamento de propinas

Além disso, o MPSC contesta o reconhecimento da chamada “continuidade delitiva”, quando vários crimes são tratados como um só. Para o órgão, cada pagamento de propina deve ser considerado um crime independente, o que pode aumentar significativamente as penas.

Valores e penas aplicadas aos condenados

O principal agente público do esquema, que atuava no Serviço Autônomo de Água e Esgoto do município, foi condenado a:

  • 29 anos e 10 meses de prisão
  • Multa equivalente a 37,6 salários mínimos da época
  • Devolução de R$ 382 mil recebidos em propina
  • Proibição de exercer função pública por oito anos após a pena

Já o líder do grupo empresarial recebeu:

  • 7 anos e 3 meses de reclusão
  • Multa de 26 salários mínimos

Os demais réus tiveram penas entre:

  • 2 anos e 5 meses a 6 anos e 5 meses de detenção
  • Multas de 1 a 7 salários mínimos

Por que o Ministério Público quer penas maiores

O recurso também aponta que a conduta dos envolvidos não pode ser considerada neutra, como entendeu a decisão inicial. Segundo o MPSC, os réus utilizaram influência, conhecimento técnico e redes de contato para sustentar o esquema de corrupção.

Outro ponto destacado é que os crimes não tinham apenas objetivo financeiro imediato. O grupo buscava manter domínio sobre contratos públicos e garantir vantagem no mercado.

O que acontece agora

O recurso apresentado pelo Ministério Público será analisado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). As defesas dos condenados também podem apresentar seus próprios recursos.

Até a decisão final, o caso segue em tramitação.

Relembre a Operação Mensageiro

Considerada a maior operação contra a corrupção já realizada em Santa Catarina, a Operação Mensageiro investiga um esquema envolvendo agentes públicos e empresários em diversos municípios.

Entre os principais pontos da investigação estão:

  • Pagamento de propinas para obtenção de contratos públicos
  • Atuação nos setores de coleta de lixo, água e iluminação pública
  • Envolvimento de prefeitos, servidores e empresários
  • Origem das investigações em delação premiada de 2021

A operação já teve diversas fases e segue em andamento, com novas ações e desdobramentos.


Fique bem informado

Receba no WhatsApp e na newsletter as principais notícias da sua região, alertas de serviço e os destaques de Santa Catarina, com a curadoria do SCTODODIA.

Player de rádio