Anvisa reforça alerta sobre riscos no uso inadequado de canetas emagrecedoras

Agência mantém benefícios dos medicamentos, mas alerta que uso fora da bula eleva casos graves

Imagem ilustrativa criada com Inteligência Artificial.
Sugerir conteúdo pelo WhatsApp

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta de farmacovigilância para chamar a atenção da população e dos profissionais de saúde sobre os riscos associados ao uso indevido de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. A medida ocorre diante do aumento de notificações de eventos adversos graves, especialmente casos de pancreatite aguda, tanto no Brasil quanto no exterior.

O alerta envolve substâncias como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida, indicadas principalmente para o tratamento do diabetes tipo 2 e, em situações específicas, para obesidade, sempre conforme critérios médicos. Segundo a Anvisa, embora o risco de pancreatite já esteja descrito nas bulas aprovadas no país, o uso fora das indicações autorizadas tem elevado significativamente a probabilidade de complicações severas.

Risco grave exige acompanhamento médico

De acordo com a agência, a pancreatite aguda associada a esses medicamentos pode evoluir para quadros necrotizantes e até fatais. Apesar disso, a Anvisa esclarece que não houve alteração na avaliação de risco-benefício dos produtos. Quando utilizados corretamente, conforme a bula e com acompanhamento médico, os benefícios terapêuticos continuam superando os riscos.

Dados internacionais reforçam a preocupação. A autoridade reguladora do Reino Unido (MHRA) registrou, entre 2007 e outubro de 2025, 1.296 notificações de pancreatite relacionadas ao uso desses medicamentos, com 19 óbitos. No Brasil, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram notificadas 145 suspeitas de eventos adversos e seis casos com desfecho de óbito em investigação.

Receita retida e controle mais rígido

O aumento de registros foi um dos fatores que levaram a Anvisa a endurecer as regras de comercialização. Desde junho de 2025, farmácias e drogarias são obrigadas a reter a receita médica desses medicamentos, conforme a RDC nº 973/2025 e a IN nº 360/2025. A prescrição passou a ser feita em duas vias, e a validade das receitas é de até 90 dias, seguindo modelo semelhante ao adotado para antibióticos.

Segundo a Anvisa, a decisão busca proteger a saúde da população diante do uso indiscriminado, especialmente para emagrecimento sem indicação clínica, prática que dificulta o diagnóstico precoce de complicações graves.

Orientações à população e aos profissionais

A agência orienta que usuários procurem atendimento médico imediato ao apresentarem dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos, sinais compatíveis com pancreatite aguda. Já os profissionais de saúde devem suspender o tratamento ao suspeitar da reação e não retomá-lo caso o diagnóstico seja confirmado.

A Anvisa também reforça a importância da notificação de eventos adversos por meio do sistema VigiMed, ferramenta essencial para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos, que estão há pouco mais de cinco anos no mercado brasileiro.

Monitoramento constante

Este não é o primeiro alerta envolvendo a classe dos agonistas de GLP-1. Nos últimos anos, a Anvisa já havia comunicado riscos de aspiração durante procedimentos anestésicos, em 2024, e uma condição rara de perda de visão associada à semaglutida, em 2025. Segundo a agência, os alertas demonstram o acompanhamento permanente da segurança desses medicamentos.


FIQUE BEM INFORMADO

📲 Fique por dentro do que acontece em Santa Catarina!
Entre agora no nosso canal no WhatsApp e receba as principais notícias direto no seu celular.
👉 Clique aqui e acompanhe.

Fique bem informado

Receba no WhatsApp e na newsletter as principais notícias da sua região, alertas de serviço e os destaques de Santa Catarina, com a curadoria do SCTODODIA.

Player de rádio