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Os dilemas da mulher que teve a infância em ilhas faróis

Cultura
Os Dilemas Da Mulher Que Teve A Infancia Em Ilhas Farois 02
Foto: Divulgação/SCTodoDia

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Os dilemas da mulher que teve a infância em ilhas faróis

Cineastas de Bombinhas produzem uma ficção com direção poética e sensível, baseada na vida de Nadir Tomázia Pinheiro da Silva, que interpreta a si mesma na obra

A Tramela Produções, de Bombinhas, está em fase de finalização de mais uma obra cinematográfica para o seu catálogo. Produzido em colaboração com a Tiqsi Filmes, “A Menina do Farol” é um curta-metragem ficcional, baseado na história de uma menina que é separada da família e levada para trabalhar para a família de um faroleiro em uma ilha afastada do continente. A pré-estreia do filme ocorre ainda neste mês. O aspecto de maior destaque do filme certamente é o fato de que a escritora e atriz Nadir Tomázia Pinheiro da Silva, 72 anos, interpreta a si própria na obra.

Na década de 1960, aos 12 anos de idade, após perder o pai, sua família enfrentava uma situação de penúria e a mãe precisou de ajuda para criar as oito filhas. Quatro delas foram trabalhar em casas de famílias, prática comum no século passado, em que moças emprestavam seus serviços em troca do sustento, sem qualquer remuneração.

Os Dilemas Da Mulher Que Teve A Infancia Em Ilhas Farois

Cineastas de Bombinhas produzem uma ficção com direção poética e sensível, baseada na vida de Nadir Tomázia Pinheiro da Silva, que interpreta a si mesma na obra

Nadir foi enviada para viver e trabalhar com a família responsável pelo farol da Ilha da Paz, em São Francisco do Sul. Ainda criança, portanto, passou a experimentar uma vida de quase total isolamento do mundo, trabalho doméstico, solidão e de angústias causadas pela distância de tudo aquilo que conhecera até então.

A obra, ficção ancorada em memórias reais da personagem principal, apresenta a confrontação dela com os traumas do seu passado, ao retornar, já idosa, à ilha em que viveu períodos árduos quando criança. Esta é a sexta atuação de Nadir em projetos audiovisuais da Tramela Produções. Desta vez, no entanto, com carga dramática incomparavelmente superior, uma vez que “a atriz mergulha profundamente em sua história para interpretar a si própria”, como define a diretora do filme, Aline Lúcia Vieira.

O roteiro foi escrito por Marcos Aurino Pinheiro, Santiago José Asef e pela diretora, Aline, embasado por pesquisas sobre os faróis marítimos, mas, sobretudo, a partir de uma série de conversas com Nadir e de um caderno de memórias que ela escreveu na década de 1970. As filmagens ocorreram em Bombinhas, Tijucas e São Francisco do Sul.

A diretora pontua o cuidado da produção para contar de maneira sutil uma história com agruras e complexidades de ordem psicológica bastante significativas. “É um filme bem poético, lírico, feito com muito zelo nesse lugar da sensibilidade. A gente quis manter isso muito forte, como é a personagem, e trazer essa profundidade. Eu me sinto presenteada e muito honrada por poder pegar a história dessa mulher que eu tanto admiro e trazer para esse campo da ficção, dando um novo desfecho para ela”, pondera.

O filme A Menina do Farol foi realizado com recursos do Governo Federal, patrocinado pelo Ministério da Cultura por meio da Lei Paulo Gustavo – Edital Audiovisual, sob correalização da Prefeitura Municipal de Bombinhas, via Fundação Municipal de Cultura. Tem apoio do Sicredi.

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