Jorginho Mello e Carlos Bolsonaro almoçaram juntos nesta terça-feira (3). Mais que o compartilhar de um horário próximo ao meio-dia para comer e trocar ideias, o encontro do governador com o pré-candidato ao Senado é um verdadeiro ponto final – ou ao menos busca parecer ser – nas especulações sobre diferenças de um em relação à candidatura do outro, importado que foi do Rio de Janeiro.
O governador usou e abusou da cortesia e do bom humor característico. Ele guardou parte da conversa para, em um tom mais intimista e humano, avisar a Carlos que vai ao Supremo Tribunal Federal (STF), nos próximos dias, pedir autorização para visitar Jair Bolsonaro (PL).
O ex-presidente, aliás, foi o epicentro da conversa. A eleição esteve nas entrelinhas, com o sentimento mútuo de tranquilidade em relação à candidatura. É que, não faz muito, chegou a vir de Brasília um recado sobre possível intervenção nacional no diretório estadual caso houvesse fissuras em relação à vaga para Carlos. O espaço dele está garantido. Mas isso não é eleição assegurada.
E A ELEIÇÃO?
Carlos foi à Agronômica vitaminado por uma desconfiança: que a possível candidatura de Esperidião Amin (Progressistas) à reeleição em chapa única do outro lado – possivelmente acoplando à candidatura João Rodrigues – possa ser uma casca de banana no seu caminho rumo ao Senado.
É que, neste cenário, não será surpresa se houver o fomento a um voto casado informal entre Amin e Carol de Toni (PL), cristianizando Carlos. O filho de Bolsonaro já foi avisado disso, mas não encontrou espaço para tocar no assunto com Jorginho durante o almoço.
Ele deve saber, também, que o próprio Jorginho elegeu-se senador “mais ou menos assim” em 2018. Na ocasião, a candidatura única de Lucas Esmeraldino pelo PSL, que perdeu para o atual governador por apenas 18 mil votos, acabou fazendo de Jorginho o segundo voto desse eleitorado bolsonarista da época, guindando o próprio mais Amin às cadeiras naquela ocasião.
Mas, para todos os efeitos, com todos os rapapés registrados no almoço desta terça-feira, o cachimbo da paz foi compartilhado por Jorginho e Carlos. Com a benção à distância de Bolsonaro.