A Nova Economia: Desafios e oportunidades para pessoas e organizações

Você já teve a sensação de estar sempre desatualizado e de que o mundo está mudando mais rápido do que a nossa capacidade de atualizar o GPS?

Fabricio Attanasio

Publicado em: 13 de março de 2026

19 min.

Imagens gerada por IA

É uma honra estrear a nova temporada da minha coluna no Portal SCTODODIA — importante canal de comunicação em Santa Catarina e no Brasil. Abordarei temas ligados a empresas, cooperativas, instituições de ensino, organizações sem fins lucrativos e o setor público. Tudo isso a partir das transformações globais e locais impulsionadas pela Inovação, Inteligência Artificial, Sustentabilidade, ESG, ODS, Educação, Estratégia, Gestão e Projetos, sempre com o olhar voltado para como esses movimentos moldam e impactam o presente e o futuro das pessoas, de nossas organizações e da sociedade.

Hoje, o assunto é a Nova Economia.

Você já teve a sensação de estar sempre desatualizado e de que o mundo está mudando mais rápido do que a nossa capacidade de atualizar o GPS? Não é impressão sua. Estamos vivendo a chamada Nova Economia, um ecossistema onde as regras do jogo não são mais ditadas apenas pelo capital financeiro, mas pela agilidade, pela capacidade de inovar, pela adoção de tecnologias e inteligência artificial e, principalmente, pelo propósito.

Mas o que isso significa na prática? Significa que o sucesso agora exige olhar para além do “quanto se ganha” e focar no “por que” e em “como isso impacta o mundo”.

Essa prática pode parecer distante ou silenciosa, mas vai sendo incorporada de forma sutil pela sociedade de várias formas. Neste contexto, destaca-se o exemplo do futebol, que escolheu como Melhor do Mundo (2025) o atacante francês Ousmane Dembélé, do Paris Saint-Germain (PSG), eleito o melhor jogador do mundo tanto na Bola de Ouro quanto no prêmio FIFA The Best de 2025.

Além do cobiçado reconhecimento que dá nome à premiação, foi enfatizada a importância de ser “o melhor para o mundo” em vez de apenas “o melhor do mundo”, demonstrando sinais dessa transição de um foco puramente individual e competitivo para um impacto social e humanitário, priorizando o legado e a contribuição positiva ao planeta. Valorizou-se a atuação do atleta fora dos campos, no desenvolvimento de projetos sociais e em campanhas de incentivo educacional e inclusão de crianças em situação de vulnerabilidade.

Nas empresas e outras organizações, podemos fazer a analogia e perguntar: as organizações estão preocupadas apenas com os seus problemas internos (com seu próprio umbigo) ou comprometidas, também, em ajudar a solucionar problemas socioambientais e econômicos do seu entorno?

Algumas empresas e instituições possuem essa preocupação integrada à sua estratégia — algumas, inclusive, de maneira formalizada e com áreas destinadas a essa finalidade (responsabilidade social, relações institucionais, sustentabilidade etc.). Outras se organizam de formas distintas, dependendo do setor e do tipo de empresa, pois algumas têm regulamentações que as obrigam a atender determinadas exigências legais, enquanto muitas adotam essa prática como parte de sua missão social por acreditarem em sua importância para a organização e para toda a sociedade.

Na verdade, vivemos um momento em que impacto e transformação deixaram de ser algo distante para se tornarem a realidade do nosso dia a dia. Neste contexto, a Nova Economia ganha força e relevância, gerando muitas oportunidades, mas também desafios a serem superados de forma individual e coletiva na vida das pessoas e das organizações.

Mas, afinal, o que é a Nova Economia?

A Nova Economia é um termo que representa muito bem o cenário atual do século XXI, descrevendo a transição de uma economia baseada no bem de capital, na indústria e na fabricação física para uma economia baseada em tecnologia, informação, conhecimento e inteligência.

Se no modelo tradicional a riqueza vinha da posse de máquinas e terras, na Nova Economia ela vem da capacidade de inovar, processar dados, criar redes e comunidades locais e globais. Assim, o ambiente econômico e a lógica de mercado e da sociedade estão sendo fortemente influenciados pelos avanços tecnológicos, pela internet e pela disrupção digital, além dos novos padrões de comportamento das novas gerações (X, Y, Z, etc.).

Na Nova Economia, o modelo tradicional, analógico e linear de fazer negócios (a chamada “velha economia”) dá lugar a operações dinâmicas. As empresas passam a ter gestões mais ágeis, com hierarquias flexíveis, equipes multidisciplinares, uso intensivo de conhecimento, tecnologia e inteligência artificial, foco em diversidade (social e para gerar mais inovação) e em práticas sustentáveis (ESG).

Neste contexto, empresas, cooperativas, instituições de ensino, organizações sem fins lucrativos, o setor público e até o cidadão são impactados direta ou indiretamente. Estamos falando desde estratégias e práticas das organizações até políticas públicas que precisam ser atualizadas ou recriadas para atender aos diversos aspectos e mudanças que a Nova Economia requer. E não são poucas: desde segurança jurídica para as empresas e o governo, benefícios para os prestadores de serviços, impactos sociais e ambientais, até a viabilidade econômica e técnica para esses novos negócios, que geram inúmeras oportunidades de trabalho e empreendimento, contribuindo para o desenvolvimento sustentável local e global.

Conheça 5 principais características para compreender melhor a Nova Economia:

  1. O Novo Valor: Ativos Intangíveis e Digitais Na Nova Economia, os dados e o conhecimento (o novo “petróleo”) superam os maquinários ou o patrimônio físico. O valor é gerado por ativos intangíveis — como inovação, algoritmos e Inteligência Artificial — onde a agilidade e tecnologias como Blockchain e Big Data não apenas aceleram processos, mas tornam obsoletos os modelos tradicionais baseados apenas em bens materiais.
  2. Modelos de Negócio e Escalabilidade Exponencial A lógica de crescimento e geração de lucro foi drasticamente transformada por modelos que priorizam a eficiência e a conectividade. O pilar central é a Escalabilidade Exponencial, onde empresas como Uber, Spotify e diversas startups conseguem aumentar sua receita de forma acelerada sem aumentar seus custos na mesma proporção. Esse fenômeno é impulsionado pela Economia Compartilhada, que substitui a posse de bens pelo acesso a serviços, e pelo Efeito de Rede, em que o valor da plataforma cresce exponencialmente à medida que mais usuários se conectam a ela.
  3. Foco na Experiência do Cliente (Customer Centricity) A empresa de sucesso é a que melhor conhece o seu consumidor e resolve a sua “dor”. O foco deixa de ser puramente o produto e passa a ser a jornada e o encantamento do usuário, transformando produtos em serviços e personalizando soluções com agilidade e alta qualidade no atendimento.
  4. Cultura da Inovação e Agilidade A perfeição dá lugar ao aprendizado rápido por meio da Cultura do Erro e do MVP (Minimum Viable Product). Com hierarquias flexíveis e foco no feedback real, as organizações “pivotam” rapidamente, usando a tecnologia não apenas para resolver problemas, mas para criar demandas no mercado, moldando novos hábitos e comportamentos.
  5. Ecossistemas e Comunidades: Impacto e Colaboração O sucesso organizacional é redefinido: o lucro líquido deixa de ser a única métrica e dá lugar ao Propósito e às práticas sustentáveis de ESG. Marcas criam reputação e são valorizadas por seu impacto social positivo, diversidade e sustentabilidade. Esse paradigma substitui o trabalho isolado por uma cultura de Colaboração e Networking, gerando valor coletivo através de ecossistemas de inovação. Impulsionado pela tecnologia, esse cenário promove uma profunda Democratização e Globalização, permitindo que uma startup em Santa Catarina venda serviços para a China instantaneamente.

Alguns exemplos

As empresas e startups da Nova Economia baseiam-se em tecnologia, escalabilidade, dados e foco total no cliente. Exemplos incluem Mercado Livre e Magazine Luiza (e-commerce), Nubank e Asaas (fintechs), Spotify (streaming), Uber e Airbnb (economia compartilhada), e gigantes como Alphabet (Google), Microsoft, Meta e Amazon.

Exemplos clássicos que explicam melhor que palavras:

  • Uber: Como poderíamos imaginar que a empresa com a maior frota do mundo não possui nenhum carro próprio em sua operação?
  • Airbnb: Da mesma forma, como a maior empresa de hospedagem do mundo não tem um único hotel ou apartamento próprio?

Quando surgiu a Nova Economia?

O termo surgiu pela primeira vez em 1983 na revista Time, no artigo “The New Economy”, de Charles P. Alexander. No entanto, o primeiro registro oficial do conceito é atribuído a Michael J. Mandel, na BusinessWeek em 1996. A expressão ganhou destaque global em 1995 com o livro The Digital Economy, de Don Tapscott. Apesar de o termo ser recente, algumas práticas, como a remodelagem da produção, começaram a ser exploradas no final dos anos 1950 por Phil Knight, fundador da Nike.

Por que ela é importante hoje para as organizações e pessoas?

Em um mundo marcado por constantes transformações, a atenção às tendências e a adoção de estratégias ágeis tornaram-se diferenciais competitivos essenciais.

Mais do que um movimento restrito ao setor tecnológico, a Nova Economia está intrinsecamente ligada à inovação, pois provoca mudanças no comportamento do consumidor e na forma como o trabalho é desenvolvido.

Nesse cenário, empresas tradicionais têm a oportunidade de se reinventar, tornando seus processos mais sustentáveis e inovadores para, assim, aproveitar as oportunidades de novos segmentos de clientes e mercados da Nova Economia.

E para as pessoas, quais são as principais oportunidades e desafios? 

Existem muitas oportunidades, tanto para as pessoas que não estão satisfeitas com sua carreira atual e querem se recolocar no mercado de trabalho, quanto para quem está procurando o seu primeiro emprego. Mas já enfatizo: sem protagonismo, o caminho fica mais difícil. 

Com a democratização do conhecimento, é possível qualquer pessoa aprender a utilizar ferramentas de IA, programação, gestão, uma área específica ou até mesmo ter acesso à educação de alto nível, que nunca foi tão barata ou acessível. 

O trabalho remoto, tanto no Brasil como no exterior — Europa, EUA ou Ásia — sem sair de casa, ganhando em moedas fortes e acessando projetos de alto impacto, é uma realidade. Atualmente, existe exemplos de colegas que trabalham dessa forma. 

Nunca foi tão fácil tirar uma ideia do papel. Existem vários programas locais ou nacionais que fomentam o empreendedorismo e, com metodologias consagradas e plataformas digitais, o custo para testar uma ideia de negócio e criar uma demanda é zero ou muito menor do que em qualquer outra época da história. 

Carreiras com propósito, como, por exemplo, a valorização de práticas de sustentabilidade e ESG alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), fazem cada vez mais sentido e abrem espaço para profissionais que desejam trabalhar em organizações alinhadas aos seus valores pessoais, gerando impacto social e ambiental real, além de prosperidade econômica. 

Essas são apenas algumas. Existem muitas outras oportunidades relacionadas à Nova Economia. Porém, os desafios existem da mesma forma, com destaque para a necessidade de adaptação rápida aos cenários de mudança, principalmente pela obsolescência de habilidades. O conhecimento técnico tem “prazo de validade” cada vez mais curto, ao mesmo tempo em que existe a sobrecarga de informação, onde o excesso pode gerar paralisia ou exaustão digital (burnout). Saber filtrar o que é conhecimento útil é um desafio constante. 

Por fim, a competição e as barreiras globais: com o fim das fronteiras físicas, você não compete mais apenas com o vizinho, mas com profissionais do mundo inteiro, que podem ser mais capacitados ou ter custos menores.

Conciliando a Tradição e a Inovação

Na verdade, o maior desafio não está nas organizações que nascem ou são inovadoras, mas nas organizações tradicionais que ainda não estão conectadas a essa transformação. A Nova Economia não é um futuro distante: ela já está moldando o presente. Cabe a nós — empresas, cooperativas, escolas, organizações sociais e governos — compreender que os desafios são grandes, mas as oportunidades são ainda maiores. O sucesso estará com aqueles que conseguirem unir inovação, sustentabilidade e propósito para construir organizações sólidas e uma sociedade mais justa e próspera.

Nova Economia: o Futuro é Humano

Embora falemos muito de robôs, IA e algoritmos, a Nova Economia é sobre pessoas. É sobre como líderes desenvolvem suas equipes para serem criativas e resilientes. Inovação sem o lado humano é apenas tecnologia; com humanidade, é progresso, prosperidade e sustentabilidade. 

Nesta coluna, seguiremos explorando esses caminhos. Afinal, o futuro não é algo que simplesmente acontece; é algo que construímos hoje, entre uma xícara de café, uma decisão e uma ação. Nas próximas postagens, aprofundarei esses e outros assuntos, com conceitos, exemplos práticos e reflexões para navegarmos juntos na Nova Economia e neste mundo em constante transformação.

Para interagir com o novo colunista, os leitores poderão entrar em contato através do link https://linktr.ee/fabricioattanasio.



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