Estamos acompanhando mais um grave caso de corrupção envolvendo grandes empresas, políticos do alto escalão e membros do Supremo Tribunal Federal (STF). De onde deveríamos ter segurança e justiça, vemos conexões escusas, troca de favores e um ambiente no qual há autoridades e figurões que se consideram acima da lei.
Esse tipo de ligação íntima entre o alto empresariado, políticos e o Judiciário não é novidade no Brasil. Enquanto a esmagadora maioria dos empreendedores sofre com altos impostos, burocracia excessiva e um regime tributário complexo, alguns grandes empresários criam conexões com o aparelho estatal com o objetivo de obter monopólios, proteção do Judiciário, subsídios, crédito facilitado e todo tipo de benefício financeiro. Em troca, esses empresários fornecem propinas, apoio e recursos para campanhas políticas, contribuindo para a perpetuação de determinados grupos no poder.
Isso se chama capitalismo de compadrio, um sistema no qual existe uma casta de intocáveis que passa por cima das regras e absorve boa parte do dinheiro dos pagadores de impostos, que acabam enfrentando ainda mais dificuldades para obter crédito ou algum tipo de alívio financeiro.
Para que o capitalismo floresça de fato e aumente o nível de riqueza da população, é necessário que a lei valha para todos e que haja a chamada livre concorrência. Essa é a única forma de os empreendedores competirem entre si sem que uma ou outra empresa tenha algum tipo de benefício obtido por meios ilegais.
Quem ganha com isso são as empresas e, principalmente, o consumidor, que pode escolher o melhor serviço pelo menor preço, satisfazendo suas necessidades de forma mais eficiente.
O brasileiro não pode se cansar e deixar mais um caso dessa magnitude passar em branco. É preciso um combate mais firme por parte da sociedade civil, e que a grande imprensa e o Senado Federal finalmente despertem para enfrentar os excessos de um STF que, na visão de críticos, já teria ultrapassado limites institucionais. As eleições de 2026 estão se aproximando, e espera-se que sejam eleitos políticos com responsabilidade e compromisso para enfrentar essa contaminação que o país vem sofrendo. Caso contrário, poderemos enfrentar momentos ainda mais difíceis.