Semana passada, fizemos um apanhado sobre o comportamento da esquerda a nível estadual e federal, e consideramos algumas possibilidades de futuro, já prevendo a aposentadoria do atual presidente Lula e o vácuo de poder deixado. Agora, é justo que façamos uma análise semelhante em relação aos partidos e políticos de Centro, ou se preferir, do Centrão.
Filosoficamente, o Centro deveria possuir políticos moderados que atuam mais a direita em alguns momentos, buscando contribuir para a livre iniciativa, empreendedorismo e contenção de gastos públicos. Já em outros momentos, esses atuariam mais à esquerda, buscando algum tipo de intervenção do Estado como promoção social e redistribuição de renda.
Acontece que, como é natural do ser humano e consequentemente dos políticos, as pessoas são seres individuais e pensam nos seus próprios interesses em primeiro lugar. Com isso, o Centro é um prato cheio para políticos “ensaboados”, que sabem jogar o jogo da velha politicagem, trocam favores, cargos, fazem medidas populistas para a grande massa da população e ao mesmo tempo dão benefícios nada republicanos a grandes empresários. Nesse exato momento, o Centro torna-se Centrão.
No Brasil atual, com uma polarização política muito forte e simplista, onde os eleitores solicitam um posicionamento dos governantes se eles são de direita ou de esquerda, esse tipo de político fisiológico possui muitas dificuldades em encontrar o seu espaço. O medo de perder eleitores e se posicionar de fato, os deixa sem vibração e transparece uma falta de firmeza, o que automaticamente afasta os eleitores.
Partidos e federações como o MDB, PSD, União Progressista, Solidariedade, Podemos, Avante e tantos outros do tipo, possuem uma grande dificuldade em se posicionar nesses momentos. A nível federal, somente agora surgiu um nome de maior peso, Ronaldo Caiado, surge como aposta para captar eleitores que não gostam nem de Lula e nem dos Bolsonaros, e chegar ao 2º turno. Já aqui em Santa Catarina, a aposta é em João Rodrigues, que busca atrair esse mesmo tipo de eleitor. Se vai dar certo, não sabemos, mas a dificuldade é enorme.
A tal terceira via nunca saiu do papel e do imaginário das pessoas, muito em função de uma falta de projeto para o futuro. A lógica é que esse cenário permaneça até que um dos lados, a esquerda petista e a direita bolsonarista, desmorone. O Centro precisa de um nome independente e com convicção para romper essa polarização, mas se isso não acontecer, essa era mais polarizada vai continuar por muito tempo.