O início da queda de uma ditadura

Análise contextual avalia os impactos políticos, históricos e geopolíticos da prisão de Nicolás Maduro e os possíveis desdobramentos para a Venezuela.

Kaue Locks

Publicado em: 5 de janeiro de 2026

4 min.
O início da queda de uma ditadura. - Foto: Eduardo Munoz/Reuters

O início da queda de uma ditadura. - Foto: Eduardo Munoz/Reuters

No último final de semana, assistimos à captura do ditador sanguinário Nicolás Maduro pelos americanos e, com isso, vem acontecendo um grande debate sobre se isso seria algo positivo, se fere a soberania nacional venezuelana, se os EUA fizeram isso por interesses próprios, se isso abre precedente para outras intervenções e assim por diante. Para termos uma ideia mais clara, é necessário analisar o caso com certo pragmatismo e todo o contexto histórico.

Maduro herdou o país após a morte de Hugo Chávez, que, habilmente e de forma traiçoeira, minou a democracia da Venezuela aos poucos, cooptando o Exército, colocando juízes na Suprema Corte, prendendo opositores, desarmando a população, perseguindo jornalistas e censurando a imprensa. Tudo isso usando como base um ideal nacionalista e de união entre os países latinos (numa espécie de bolivarianismo) e o socialismo, uma ideologia famosa por empobrecer pessoas e enriquecer ditadores.

Além dessa estrutura, o chavismo encontrou no narcotráfico uma forma de se financiar para manter seus poderes. Em troca, o narcotráfico possui passe livre em todo o território venezuelano para produzir cocaína e outras drogas, sem precisar se preocupar com a polícia ou qualquer investigação.

O resultado disso é um país falido, sem segurança, sem liberdade, com cerca de 20% da população fugindo do país, sequestrada por uma casta de políticos e militares que sugam a riqueza e a vida dos venezuelanos.

Agora vamos à parte prática: como acabar com esse regime? Esperar que Maduro se arrependa? Realizar uma revolução com a população desarmada contra um Exército fortemente armado e traficantes de drogas? Aguardar décadas até Maduro morrer e torcer para que ele não indique nenhum familiar para sucedê-lo?

Não sejamos ingênuos ao acreditar que os americanos não possuem grandes interesses econômicos no país, principalmente por ele possuir grandes reservas minerais e de ouro. Assim, Donald Trump realizou algo que os venezuelanos que clamam por liberdade jamais poderiam fazer sozinhos: o início da queda do regime criminoso e socialista de Maduro.

Agora resta saber como os próximos passos vão se desenrolar e até onde vai a interferência dos ianques, mas há, neste momento, um grito de esperança para esse povo tão castigado, que comemora efusivamente a queda de seu sequestrador. Acompanhemos.



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