Arrecadação federal bate recorde em 2025 e soma R$ 2,89 trilhões

O resultado representa um crescimento real de 3,75% em relação a 2024

Eduardo Fogaça

Publicado em: 22 de janeiro de 2026

6 min.
Arrecadação federal bate recorde em 2025 e soma R$ 2,89 trilhões. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Arrecadação federal bate recorde em 2025 e soma R$ 2,89 trilhões. Foto: José Cruz/Agência Brasil

A arrecadação da União com impostos e outras receitas atingiu um novo recorde em 2025, somando R$ 2,89 trilhões, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (22) pela Receita Federal. O resultado representa um crescimento real de 3,75% em relação a 2024, já descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Além do desempenho anual histórico, o mês de dezembro de 2025 também registrou o melhor resultado da série. No último mês do ano, a arrecadação alcançou R$ 292,72 bilhões, o que corresponde a uma alta real de 7,46% na comparação com dezembro de 2024.

Segundo a Receita Federal, os bons números refletem principalmente o desempenho positivo da economia ao longo do ano, aliado ao aumento de impostos em determinados setores.

“São números expressivos, um crescimento importante, considerando o patamar elevado do ano anterior”, afirmou o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, durante a apresentação dos dados.

O que entra na arrecadação federal

Os valores divulgados englobam os principais tributos federais, entre eles:

  • Imposto de Renda de pessoas físicas e jurídicas (IR);
  • Receita previdenciária;
  • Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);
  • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF);
  • PIS/Cofins.

Também fazem parte do total receitas como royalties e depósitos judiciais, que não são administrados diretamente pela Receita Federal.

Receitas administradas pela Receita

Considerando apenas as receitas administradas pelo órgão, a arrecadação em 2025 chegou a R$ 2,76 trilhões, com crescimento real de 4,27%. Em dezembro, esse montante foi de R$ 285,21 bilhões, alta real de 7,67%.

A base de comparação com 2024, no entanto, foi impactada por eventos atípicos e mudanças na legislação tributária. Em 2024, houve arrecadação extra de R$ 13 bilhões com a tributação de fundos exclusivos, além de recolhimentos extraordinários de IRPJ e CSLL, que não se repetiram com a mesma intensidade em 2025.

Mesmo assim, segundo a Receita, se esses fatores fossem desconsiderados, o crescimento real da arrecadação entre janeiro e dezembro de 2025 teria sido de 4,82%.

Setores que impulsionaram o crescimento

O desempenho da arrecadação foi influenciado principalmente por variáveis macroeconômicas, com destaque para o setor de serviços, que cresceu 2,72% entre dezembro de 2024 e novembro de 2025. A massa salarial avançou 10,9% no período, impulsionando especialmente a arrecadação previdenciária, que somou R$ 737,57 bilhões, alta real de 3,27%.

Outro destaque foi o IOF, que arrecadou R$ 86,48 bilhões em 2025, crescimento de 20,54% em relação ao ano anterior. A Receita atribui o resultado a operações de crédito, movimentações cambiais e alterações legislativas ocorridas ao longo do período.

O PIS/Cofins também apresentou crescimento, alcançando R$ 581,95 bilhões, alta de 3,03%, impulsionada pelo desempenho das instituições financeiras e pela taxação dos serviços de apostas online. A arrecadação proveniente das chamadas bets saltou de R$ 91 milhões em 2024 para quase R$ 10 bilhões em 2025.

Comércio exterior e sinais de desaceleração

Os tributos sobre o comércio exterior cresceram 9,49% em termos reais, influenciados pela alta do dólar e pelo aumento das alíquotas médias. Já a arrecadação sobre rendimentos de residentes no exterior avançou 12,91%, puxada por royalties, rendimentos do trabalho e Juros sobre Capital Próprio (JCP).

Apesar do recorde histórico, a Receita Federal aponta sinais de desaceleração, especialmente nos setores industrial e de venda de bens. A arrecadação de IRPJ e CSLL cresceu apenas 1,27%, enquanto o IPI teve alta no mesmo patamar, refletindo a atividade industrial praticamente estável ao longo do ano.


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