O avanço das mulheres em cargos de liderança perdeu ritmo nos últimos anos, mesmo após uma década marcada por crescimento gradual da presença feminina no topo das empresas. A constatação é de um estudo divulgado pelo LinkedIn nesta sexta-feira (6), poucos dias antes do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.
O relatório “2026 State of Women in Leadership” aponta que, embora tenha havido ganhos estruturais desde 2015, a evolução praticamente estagnou desde 2022 tanto no Brasil quanto em outros países.
Atualmente, as mulheres representam 44% da força de trabalho global, mas ocupam apenas 31% dos cargos de liderança, considerando posições de vice-presidência e executivos do alto escalão.
Crescimento desacelera após anos de avanço
Os dados mostram que a presença feminina avançou de forma consistente ao longo da última década, mas perdeu força recentemente.
Veja a evolução global:
- 2015: 27,9% das posições de liderança ocupadas por mulheres
- 2022: 30,7%
- 2025: 31%
Entre 2015 e 2022, o crescimento médio foi de 0,4 ponto percentual ao ano. Já entre 2022 e 2025, o aumento total foi de apenas 0,3 ponto percentual. No último ano analisado, o avanço foi mínimo: 0,1 ponto percentual.
Segundo o LinkedIn, o cenário atual indica desaceleração após um ciclo de progresso, e não necessariamente um retrocesso estrutural.
Brasil acompanha a tendência
No Brasil, o comportamento é semelhante ao observado no cenário global e apresenta números ligeiramente melhores.
Hoje, as mulheres representam 45,2% da força de trabalho brasileira, enquanto 32,2% das posições de liderança são ocupadas por elas.
A evolução no país ocorreu principalmente até 2022:
- 2015: 29,0%
- 2022: 32,2%
- 2025: 32,2%
Na prática, isso significa que o crescimento parou nos últimos três anos, apesar do avanço acumulado de 3,2 pontos percentuais na última década.
Mulheres perdem espaço ao longo da carreira
O estudo também revela que o principal desafio não está no acesso das mulheres ao mercado de trabalho, mas sim na progressão dentro das empresas.
No Brasil, a presença feminina diminui conforme os cargos se tornam mais altos:
- Entry-level: 47,8%
- Profissionais experientes: 37,0%
- Gerência inicial: 37,1%
- Vice-presidência: 22,3%
- C-level: 29,1%
O padrão indica que as barreiras aparecem ao longo da trajetória profissional e não apenas no topo da hierarquia corporativa.
País se aproxima de economias desenvolvidas
Mesmo com desafios, o Brasil apresenta índices semelhantes aos de várias economias desenvolvidas quando o assunto é presença feminina na liderança.
Comparação internacional:
- Singapura: 35,5%
- Estados Unidos: 34,6%
- Austrália: 33,8%
- Canadá: 32,7%
- Brasil: 32,2%
- França: 31,7%
- Itália: 31,3%
Os países com maior equilíbrio de gênero na liderança superam 40% de participação feminina, como Finlândia, Filipinas e Jamaica.
Gerações mais jovens mostram mudança
Outro dado relevante do estudo é a diferença entre gerações. Quanto mais jovem o grupo analisado, maior é a presença feminina em posições de liderança.
No Brasil, os números mostram essa evolução:
- Baby Boomers: 18,4%
- Geração X: 27,4%
- Millennials: 33,7%
- Geração Z: 38,1%
O resultado indica uma transformação gradual no mercado de trabalho, ainda que desafios estruturais persistam ao longo da carreira.
Mais estudo não significa chegar ao topo
O relatório também aponta uma discrepância entre qualificação e acesso ao poder dentro das empresas.
No Brasil:
- Mulheres com mestrado representam 50,2% da força de trabalho
- Mas ocupam apenas 36,3% dos cargos de liderança
Globalmente, a diferença é ainda maior entre profissionais com doutorado.
Empreendedorismo cresce entre mulheres
Enquanto a ascensão corporativa desacelera, muitas mulheres têm encontrado espaço de liderança no empreendedorismo.
Hoje:
- Quase 30% dos fundadores de empresas no mundo são mulheres
- No Brasil, 29,5% dos founders são mulheres
O cargo de founder entrou pela primeira vez entre as profissões que mais crescem no ranking global do LinkedIn, indicando que muitas mulheres estão criando seus próprios caminhos de liderança.
Como o estudo foi feito
O relatório “2026 State of Women in Leadership” foi elaborado a partir de dados agregados e anonimizados de perfis do LinkedIn, analisando a evolução da presença feminina em cargos de liderança entre 2015 e 2025 em diversos países, incluindo o Brasil.
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