Copom deve manter juros em 15% e cortes devem iniciar em março

A avaliação predominante entre analistas é de que a autoridade monetária deve manter a taxa básica de juros, a Selic, no atual patamar de 15%

Eduardo Fogaça

Publicado em: 27 de janeiro de 2026

6 min.
Copom deve manter juros em 15% e cortes devem iniciar em março. Foto: Divulgação/Banco Central

Copom deve manter juros em 15% e cortes devem iniciar em março. Foto: Divulgação/Banco Central

A última semana de janeiro é marcada por expectativas no mercado financeiro com a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, agendada para esta terça-feira (27) e quarta-feira (28). A avaliação predominante entre analistas é de que a autoridade monetária deve manter a taxa básica de juros, a Selic, no atual patamar de 15% ao ano.

De acordo com relatório da XP Investimentos, assinado pelo economista-chefe Caio Megale e pelos economistas Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, o ciclo de cortes nos juros deve começar em março. A projeção indica cinco reduções consecutivas de 0,50 ponto percentual, seguidas de uma pausa no segundo semestre para reavaliação do cenário econômico. Com isso, a Selic encerraria 2026 em 12,5%.

Ritmo dos cortes depende do cenário fiscal

Segundo os economistas, o ritmo de flexibilização monetária estará diretamente ligado às perspectivas de controle dos gastos públicos. No cenário-base da XP, há expectativa de algum ajuste fiscal nos próximos anos, ainda que insuficiente para resolver o desequilíbrio entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB).

A projeção atual considera uma taxa de juros em torno de 11% ao fim de 2027, após um leve ajuste nas estimativas anteriores.

Indicadores econômicos seguem estáveis

O relatório destaca que, desde dezembro, os principais indicadores econômicos permanecem praticamente inalterados. A taxa de câmbio segue em patamar semelhante ao do fim de 2025, enquanto as expectativas do mercado para crescimento do PIB e inflação registraram poucas variações.

No campo inflacionário, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2025 em 4,26%, dentro da margem de tolerância da meta oficial de inflação, fixada em 3%, com variação permitida de até 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Os núcleos da inflação seguem entre 3,5% e 4%, enquanto os preços ao produtor, medidos pelo IPA-FGV, mostram desaceleração. Para a XP, esses dados representam sinais positivos para as próximas leituras do IPCA.

Pressões inflacionárias e mercado de trabalho

Apesar dos indicadores favoráveis, os economistas alertam para fatores que ainda geram cautela. A desaceleração gradual da atividade econômica, combinada a dados recentes do mercado de trabalho, mantém pressão sobre os preços. Além disso, a alta das commodities registrada no início deste ano pode adicionar novos riscos ao cenário inflacionário.

Eleições entram no radar do mercado

Outro ponto de atenção destacado no relatório é a corrida eleitoral. Com a inflação em processo de desaceleração, mas ainda distante da meta de 3%, o foco do mercado se volta para a condução da política fiscal e a possibilidade de reformas estruturais a partir de 2027.

No cenário-base, a XP avalia que o próximo governo deve adotar medidas de contenção de despesas, porém insuficientes para uma correção mais profunda das contas públicas. Nesse contexto, os cortes de juros em 2027 também tendem a ser limitados.

“Cenários alternativos dependerão da condução da política fiscal a partir de 2027. Caso os ajustes não se materializem, o Banco Central provavelmente não encontrará espaço para novos cortes. Por outro lado, um ajuste fiscal mais robusto poderia permitir que a Selic convergisse para o nível neutro, estimado em torno de 5,5% em termos reais”, afirmam os economistas no relatório.


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