Dívida da Venezuela com o Brasil supera R$ 10,3 bilhões e segue sem previsão de pagamento

Inadimplência iniciada em 2018 já gerou bilhões em juros e levou o Tesouro Nacional a assumir o prejuízo de financiamentos a obras e exportações brasileiras

Redação

Publicado em: 5 de janeiro de 2026

4 min.
Dívida da Venezuela com o Brasil supera R$ 10,3 bilhões e segue sem previsão de pagamento - Foto: Ricardo Stuckert/PR

Dívida da Venezuela com o Brasil supera R$ 10,3 bilhões e segue sem previsão de pagamento - Foto: Ricardo Stuckert/PR

A dívida da Venezuela com o Brasil já ultrapassa R$ 10,3 bilhões e não há, até o momento, qualquer perspectiva de quitação. Somente em juros acumulados desde 2018, quando o país passou a ser oficialmente inadimplente, o montante supera R$ 2,7 bilhões.

Os dados são do Ministério da Fazenda e refletem a situação até 28 de fevereiro de 2025. Os valores correspondem às indenizações já pagas pela União a bancos financiadores, além dos juros de mora acumulados. No entanto, o passivo total pode ser ainda maior. Estimativas apontam que a dívida esteja entre US$ 1,7 bilhão e US$ 2,5 bilhões, o equivalente a quase R$ 12 bilhões na cotação atual.

O calote do governo de Nicolás Maduro envolve operações de crédito destinadas à exportação de bens e serviços brasileiros, muitas delas relacionadas a grandes obras de infraestrutura na Venezuela, como metrôs, estaleiros e siderúrgicas. Esses financiamentos foram cobertos pelo Seguro de Crédito à Exportação (SCE), lastreado no Fundo de Garantia à Exportação (FGE), o que transferiu o ônus da inadimplência para o Tesouro Nacional.

Segundo a Fazenda, apenas nos dois primeiros meses deste ano o estoque da dívida cresceu R$ 960,78 milhões, impulsionado pelo não pagamento de parcelas e pela continuidade da incidência de juros. A inadimplência teve início formal em 2018, mas os contratos remontam ao início dos anos 2000.

O BNDES informou que não pode conceder novos financiamentos a países inadimplentes. Desde 2024, a responsabilidade por negociar a recuperação do crédito externo brasileiro está a cargo da Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda.

Além das questões financeiras, a relação política entre Brasil e Venezuela se deteriorou nos últimos anos. Em 2023, após a falta de garantias para eleições livres, o Brasil vetou a entrada da Venezuela no Brics e o diálogo bilateral foi interrompido. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender mecanismos de troca de dívida por investimentos em desenvolvimento, como educação e meio ambiente, em fóruns internacionais.


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