O dólar caminha para fechar o primeiro mês de alta frente às principais moedas globais desde outubro, impulsionado por tensões geopolíticas. No entanto, no Brasil, o movimento foi oposto: a moeda norte-americana acumulou queda de cerca de 2% no mês e opera na faixa de R$ 5,13, atingindo as mínimas desde maio de 2024 em diversos pregões.
A valorização do real tem sido sustentada por fatores internos e externos, com destaque para o forte fluxo de capital estrangeiro na B3 e o diferencial de juros ainda elevado no país.
Fluxo estrangeiro impulsiona real
Um dos principais vetores para a queda do dólar no Brasil foi o aumento do fluxo de investidores estrangeiros na bolsa brasileira. O Ibovespa renovou recordes recentes, enquanto o valuation das ações segue considerado atrativo em comparação com outros mercados emergentes.
Esse movimento ampliou a oferta de dólares no mercado doméstico, fortalecendo a moeda brasileira.
Além disso, segundo análise da Zero Markets, apesar de ruídos envolvendo o Banco Central, o mercado mantém confiança relativa na condução da política monetária.
Selic elevada e cenário externo ajudam
O Itaú destaca que um ambiente externo mais benigno, combinado com prêmio de risco doméstico ainda contido e amplo diferencial de juros, permitiu que o real fosse negociado em níveis mais valorizados no início do ano.
Nos Estados Unidos, apesar da recente aceleração da inflação ao produtor e da queda das bolsas, o cenário não foi suficiente para reverter o fluxo favorável ao Brasil.
Para o Morgan Stanley, o comportamento do real segue fortemente influenciado pelas perspectivas eleitorais. O banco avalia que, caso as pesquisas continuem indicando um resultado visto como fiscalmente prudente, o dólar pode cair abaixo de R$ 5 antes das eleições de outubro.
A instituição também afirma não demonstrar grande preocupação com o próximo ciclo de afrouxamento monetário no Brasil, citando a vantagem do chamado carry trade — estratégia que aproveita o diferencial de juros entre países.
Projeções para 2026 e 2027
Apesar da valorização recente do real, grandes instituições ainda projetam dólar mais alto nos próximos anos.
O Itaú revisou suas estimativas cambiais:
- De R$ 5,50 para R$ 5,40 em 2026;
- De R$ 5,70 para R$ 5,60 em 2027.
Mesmo com a revisão para baixo, o banco entende que a moeda americana deve se valorizar frente aos patamares atuais ao longo do tempo.
O banco Pine também vê espaço para o dólar recuar para perto de R$ 5 no primeiro semestre, sustentado por um cenário externo de desaceleração moderada nos Estados Unidos, com inflação ainda elevada, mas com perspectiva ligeiramente mais favorável para o PIB no início de 2026.
A instituição projeta taxa média de R$ 5,21 para 2026.
Há espaço para queda maior?
Há análises ainda mais otimistas. O economista Robin Brooks, do Brookings Institution e ex-chefe de estratégia cambial do Institute of International Finance (IIF), já apontou que o valor justo do dólar poderia estar próximo de R$ 4,50.
O consenso, no entanto, indica que o desempenho do câmbio ao longo do ano dependerá principalmente de três fatores:
- Evolução do cenário eleitoral no Brasil;
- Decisões do Banco Central sobre a Selic;
- Trajetória da economia e dos juros nos Estados Unidos.
Enquanto isso, o real segue entre as moedas emergentes com melhor desempenho no período, sustentado por fluxo externo e diferencial de juros elevado.
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