Dólar cai ao menor nível em 21 meses e bolsa bate novo recorde

A moeda norte-americana encerrou o dia vendida a R$ 5,188, com queda de R$ 0,032

Eduardo Fogaça

Publicado em: 10 de fevereiro de 2026

5 min.
Dólar cai ao menor nível em 21 meses e bolsa bate novo recorde. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Dólar cai ao menor nível em 21 meses e bolsa bate novo recorde. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de forte euforia nesta segunda-feira (9). O dólar comercial caiu para o menor patamar em 21 meses e fechou abaixo de R$ 5,20, enquanto a bolsa de valores brasileira registrou uma alta expressiva e bateu novo recorde histórico.

A moeda norte-americana encerrou o dia vendida a R$ 5,188, com queda de R$ 0,032, o equivalente a recuo de 0,62%. A cotação apresentou trajetória de baixa ao longo de toda a sessão e chegou a atingir R$ 5,17 por volta das 13h. No período da tarde, investidores aproveitaram o valor mais baixo para recompor posições, mas o dólar manteve-se em queda até o fechamento.

Com esse resultado, o dólar alcançou o menor nível desde 28 de maio de 2024, quando era negociado a R$ 5,15. No acumulado de 2026, a moeda já registra desvalorização de 5,47% frente ao real.

Bolsa bate recorde histórico

No mercado de ações, o cenário também foi amplamente positivo. O índice Ibovespa, principal indicador da B3, fechou aos 186.241 pontos, com valorização de 1,8%. O desempenho foi impulsionado principalmente por ações de bancos, petroleiras e mineradoras, setores que têm maior peso na composição do índice.

A última vez que o Ibovespa havia alcançado um recorde foi no dia 3 deste mês. Desde o início de 2026, a bolsa brasileira acumula alta de 15,69%, refletindo o maior apetite ao risco por parte dos investidores.

Fatores internacionais impulsionam mercado

O movimento de queda do dólar frente ao real acompanhou o cenário internacional. Entre os fatores que influenciaram o mercado estão a possibilidade de intervenções para fortalecer o iene japonês e a repercussão de dados recentes da economia dos Estados Unidos.

Os números do mercado de trabalho norte-americano, divulgados na semana passada, vieram abaixo das expectativas. Isso aumentou as apostas de que o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, possa retomar o ciclo de corte de juros nos próximos meses. Além disso, a vitória eleitoral da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi contribuiu para a desvalorização do dólar frente ao iene.

Recomendação da China pesa sobre o dólar

O principal fator de pressão sobre a moeda norte-americana, no entanto, foi a recomendação do governo da China para que bancos privados reduzam a compra de títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Como maior detentora desses papéis, a China sinalizou a intenção de diversificar suas reservas internacionais, o que teve impacto direto sobre o dólar no mercado global.

Esse conjunto de fatores favoreceu moedas de países emergentes. Além do real, o dólar também recuou frente a divisas como o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno. O ambiente mais favorável aos mercados emergentes, observado desde o início do ano, tende a se manter e pode continuar beneficiando o câmbio brasileiro nos próximos meses.


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