A possibilidade de uma nova paralisação nacional de caminhoneiros voltou ao centro das atenções no Brasil. O SINDITAC de Navegantes (SC) informou, por meio de nota oficial, que há confirmação da mobilização da categoria para uma possível greve nacional nesta quinta-feira (19).
Segundo o sindicato, o movimento ocorre em âmbito nacional e tem como principal reivindicação maior fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no cumprimento do piso mínimo do frete, além da atualização dos valores praticados no transporte rodoviário de cargas.
A entidade também orientou motoristas e profissionais do setor a acompanharem as atualizações sobre locais de paralisação e orientações regionais, reforçando que segue mobilizada na defesa dos interesses da categoria.
Diesel em alta aumenta tensão no setor
A mobilização ocorre em meio à forte alta no preço do diesel nas últimas semanas, fator que tem pressionado os custos operacionais dos transportadores e aumentado o clima de insatisfação entre caminhoneiros.
Levantamento da startup TruckPag aponta que o diesel S10 subiu em média R$ 0,94 por litro no país entre 28 de fevereiro e 11 de março, o que representa alta de 16,43% em apenas 12 dias.
Em Santa Catarina, o aumento foi ainda maior: 19,07% no período, uma das maiores variações do país. O combustível que custava cerca de R$ 5,73 no fim de fevereiro passou a superar R$ 6,68 nesta semana, impactando diretamente o custo do frete.
A escalada no preço do combustível foi impulsionada por dois fatores principais:
- Tensão geopolítica no Oriente Médio, que pressiona o mercado internacional de petróleo;
- Reajuste de 11,6% anunciado pela Petrobras, que elevou em R$ 0,38 o litro do diesel A para distribuidoras.
Movimento já gera alerta em Santa Catarina
Mesmo antes de uma confirmação oficial de paralisação em larga escala, postos de combustíveis em Santa Catarina já registraram aumento no fluxo de caminhoneiros.
No início da semana, motoristas chegaram a se concentrar em um posto próximo à divisa entre Joinville (SC) e o Paraná, aumentando o clima de expectativa dentro do setor de transporte.
O tema também chegou ao Congresso Nacional. O deputado federal catarinense Zé Trovão, conhecido por sua ligação com o movimento de caminhoneiros, já iniciou conversas com lideranças sindicais sobre a situação e deve se manifestar publicamente nos próximos dias.
Entidades do setor adotam cautela
Apesar da mobilização de caminhoneiros autônomos, entidades que representam empresas de transporte adotam uma postura mais cautelosa.
A Federação das Empresas de Transporte de Carga de Santa Catarina (Fetrancesc) informou que, até o momento, não há confirmação oficial de paralisação por parte do setor empresarial, destacando que acompanha o cenário com atenção.
Impacto pode chegar ao preço dos produtos
Especialistas alertam que qualquer paralisação no transporte rodoviário pode provocar reflexos em cadeia na economia.
Segundo Kassio Seefeld, CEO da TruckPag, o combustível é um dos principais custos da operação logística no país. “Quando o diesel sobe, o frete sobe junto. E isso acaba chegando ao preço final de praticamente tudo que depende do transporte rodoviário”, afirmou.
Enquanto a categoria aguarda novas orientações e possíveis negociações, a definição sobre a greve nacional ainda depende das decisões das lideranças do movimento nos próximos dias.
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